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Coronavírus

Em alta, Brasil registra mais de uma morte de covid por minuto em 24 horas

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

02/03/2021 21h09Atualizada em 02/03/2021 22h02

O Brasil alcançou hoje o recorde de 1.726 mortes devido à covid-19 registradas em 24 horas. Com isso, o país chegou à impressionante marca de um óbito a cada 50 segundos no país, com uma curva ascendente e tendência de agravamento nos próximos dias.

Os dados são do consórcio de imprensa, do qual o UOL faz parte. O recorde anterior de mortes por covid-19 em um intervalo de 24 horas havia sido registrado em 25 de fevereiro, com 1.582 óbitos.

Segundo os dados do Ministério da Saúde, contudo, o recorde havia sido com 1.595, em 29 de julho de 2020. O alto número daquele dia foi influenciado pela ausência de registros no dia anterior do estado de São Paulo —que acabaram sendo incluídos na conta do dia 29.

"Hoje é o nosso maior número de mortes por uma única doença em 24 horas [na história] e também o maior entre todos os países do mundo —pois ontem os EUA registraram 1.425, e era o país que havia batido o recorde de mortes", afirma a epidemiologista e pesquisadora Ana Brito, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em Pernambuco.

A situação do país em termos de mortes, porém, tende a se agravar, visto que 18 das 27 unidades da federação chegaram a 80% ou mais de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) —11 delas com mais de 90%: RS, RO, GO, SC, AC, PE, AM, DF, PR, RN e MS.

De cada 100 pacientes que se internam para terapia intensiva, 35 morrem, segundo dados do projeto UTI Brasileiras.

Nos últimos quatro dias, a média móvel de mortes por covid-19 bateram recorde com tendência em alta:

  • 2 de março - 1.274
  • 1º de março - 1.223
  • 28 de fevereiro - 1.208
  • 27 de fevereiro - 1.180

Se não forem tomadas medidas de restrição de circulação de pessoas imediatamente, viveremos um inferno na Terra nas próximas semanas.
Ana Brito, epidemiologista e pesquisadora

Segundo ela, o Brasil enfrenta um momento de "combinação trágica" que agrava o que já seria um cenário ruim. "Foram omissões e uma nova variante que, de forma inconsequente, foi disseminada por todo país, quando se transferiram os pacientes de Manaus para serem atendidos em outros locais", diz.

"O correto teria sido mandar esforços de recursos humanos e materiais dos demais estados para conter a doença lá, já que a variante P.1 é bem mais transmissível, e deslocar as poucas doses de vacinas que tínhamos naquele momento para vacinar a população inteira da Amazônia. Assim ganharíamos tempo e conteríamos a variante", afirma.

Diante de tantos erros, diz, o cenário que o Brasil atingiu hoje não surpreende. "Cansamos de alertar por todos os meios de que dispomos. Mas somos vozes isoladas neste país onde impera a omissão como projeto de governo e a incompetência técnica e administrativa. Estabeleceu-se um apagão no Ministério da Saúde, e os poucos técnicos que teriam condições de enfrentar uma crise sanitária de proporções alarmantes, como a que vivemos, certamente não estão tendo nenhuma voz."

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