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Coronavírus

Nicolelis: 'Estamos em guerra, tem de bloquear o inimigo com lockdown'

Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/03/2021 04h00

O médico e neurocientista Miguel Nicolelis define o lockdown como a única saída para o colapso na saúde de todo o Brasil causada pela covid-19. Não apenas em uma cidade ou estado e, sim, um fechamento geral do país.

Em sua participação no episódio #78 do Baixo Clero, ele respondeu questionamentos dos colunistas Maria Carolina Trevisan e Diogo Schelp, além da apresentadora Carla Bigatto. Sua comparação do momento atual é com uma batalha.

"Você tem que atacar o problema multidirecionalmente, é uma guerra. Bloqueia o inimigo com lockdown, que reduz a transmissão drasticamente. Só que menos de 30 dias não vai funcionar", avalia (veja a partir de 13:00 no vídeo acima).

Em sua explanação, detalhou que não basta colocar as pessoas dentro de casa, é preciso bloquear as estradas para, de fato, impedir movimentação de pessoas. Só assim, afirma, é possível evitar o contágio.

"Falo isso há um ano. Um dos maiores surtos da Coreia do Sul foi uma excursão de 50 crianças para a praia, 200 km de ida e volta, e foi um dos maiores surtos de Seul", exemplifica o médico (ver a partir de 14:10 no vídeo acima).

Nicolelis coloca São Paulo como um dos focos iniciais da crise no Brasil. O motivo? Não impedir a saída de pessoas vindas de outros países, por conta da escala de voos internacionais, com possíveis contaminações.

O médico vê o momento atual como a "ponta do iceberg" para o que está prestes a acontecer. Os números diários e totais da pandemia ainda aumentarão —e por tempo indeterminado.

"Nós somos um reator nuclear fora de controle. Em vez de átomos, estamos falando de material orgânico, biológico, fora de controle. É um caso inédito em cem anos o que estamos vendo", diz (veja a partir de 17:20 no vídeo acima).

Os podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts e em todas as plataformas de distribuição de áudio. Você pode ouvir Baixo Clero, por exemplo, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e Youtube —neste último, também em vídeo.

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