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Março já é o mês com mais mortes na história do Brasil; 1/3 delas por covid

Cemitério Parque Taruma, em Manaus - Bruno Kelly/Reuters
Cemitério Parque Taruma, em Manaus Imagem: Bruno Kelly/Reuters

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

29/03/2021 13h10

Pela primeira vez na história, o Brasil superou a marca de 140 mil mortes em um único mês. Apesar dos dados ainda serem parciais e a poucos dias de seu encerramento, março de 2021 já registra o recorde de óbitos do país.

Segundo os dados dos cartórios de registro civil, março já contava, até ontem, com 140.978 certidões de óbito emitidas, superando o recorde até então de julho de 2020, quando foram 139.658 mortes. Os dados dos cartórios são reunidos desde 2016.

Historicamente, julho é mês que registra o maior número de óbitos no país, segundo dados do Ministério da Saúde. Isso ocorre porque o mês acumula mais casos de doenças respiratórias durante o inverno brasileiro. As informações do Datasus, do ministério, são organizadas desde 1979.

Chama ainda atenção a alta de março quando são comparados os dados de anos anteriores. Em março de 2020, quando a pandemia ainda começava no Brasil, foram registradas cerca de 107 mil mortes, alta de 9,5% em relação às 97,7 mil do mesmo mês de 2019.

Já as quase 141 mil mortes de março deste ano representam uma elevação de 32% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Essa marca negativa foi puxada pelo avanço da covid-19, que é a causa de uma em cada três mortes no país neste mês.

Somente este mês foram 47.404 óbitos já computados pela doença, o que representa 33,6% de todas as mortes no Brasil —esse foi o maior percentual já registrado.

O recorde anterior era de janeiro de 2021, quando 23,7% das mortes foram causadas pela covid-19 (quase uma em cada quatro).

Mudança de perfil das mortes

Até a chegada da covid-19, as doenças do coração e cerebrovasculares eram as campeãs em óbitos no país.

Em março deste ano, segundo dados registrados até ontem pelos cartórios, elas não chegam nem perto da mortalidade causada pelo novo coronavírus: os AVCs (acidente vascular cerebral) mataram 5.525 pessoas; e os infartos, 5.223.

Os números de março, porém, ainda terão acréscimos em óbitos não só pelos dias que faltam, mas pelo atraso de até duas semanas na inserção dos dados no portal da transparência da Arpen Brasil (Associação de Registradores de Pessoas Naturais).

A base de dados do sistema contabiliza os registros de óbito que trazem a covid-19 como a causa da morte.

Mais mortes por covid e mais jovens

Março também já é o mês com mais mortes pela covid-19 da pandemia no país, com larga vantagem para janeiro deste ano, quando foram 31 mil óbitos registrados no país.

Uma das características da covid-19 este mês é o rejuvenescimento das vítimas.

Como revelou o UOL, o número de pessoas adultas abaixo de 60 anos que morreram pela doença cresceu 35% em relação a 2020, e agora pelo menos um em cada três óbitos foram de pessoas nessa faixa etária.

Ao todo, desde o início da pandemia, os cartórios já registraram 304 mil mortes pela covid-19 no Brasil, todas com dados pessoais das vítimas, como nome, idade e CPF.

O número é parecido ao do consórcio de imprensa e das secretarias estaduais, que já passam dos 312 mil óbitos na pandemia até ontem.

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