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Coronavírus

Minha mãe foi vacinada. Podemos passar o Dia das Mães juntos?

Getty Images
Imagem: Getty Images

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

08/05/2021 04h00

O segundo Dia das Mães durante a pandemia de coronavírus chega junto com a vacina para muitas famílias. Mas, mesmo com a imunização, os médicos alertam que é necessário tomar cuidado —manter as máscaras, o distanciamento social e evitar aglomerações.

Os especialistas afirmam que as vacinas não garantem 100% de proteção e mesmo as mães vacinadas devem tomar cuidado. Eles dizem que uma nova onda de contaminação pode acontecer independente da data, mas que precauções são sempre recomendáveis —para se evitar um novo colapso no sistema de saúde, como houve após as festas de fim de ano, por exemplo, em diversos estados.

Ainda será uma comemoração restrita. A vacina protege contra formas graves e morte que, mesmo assim, podem ocorrer raramente. Dessa forma, o risco é minimizado, mas não zerado.
Evaldo Stanislau, infectologista do Hospital das Clínicas de São Paulo

"Os vacinados também podem, em teoria, mesmo que assintomáticos ou com sintomas mínimos, infectar-se e transmitir a terceiros. Portanto, ainda não estamos no momento de relaxar medidas de controle", completa Stanislau.

O infectologista Marcos Boulos, professor da USP (Universidade de São Paulo), diz que todos devem usar máscara nos encontros —inclusive que já fui imunizado.

"A vacina não protege totalmente e, mesmo que protegesse 100%, só estaria liberado [de não usar máscara] quem foi vacinado. Quem ainda não foi, tem de usar em qualquer circunstância. O risco segue", afirma Boulos.

De máscara e em lugares arejados

"Tem de usar máscara, não tem saída. É isso que previne", reafirma o epidemiologista Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo. Segundo ele, é possível até abraçar —desde que os dois estejam com proteção.

A maior preocupação, ele reitera, é no momento da refeição. "Estão todos sem máscara, conversando, rindo. É nessa hora que espalha [o vírus]", exemplifica. A dica é tentar comer o mais distante possível e, se possível, em locais arejados.

É melhor sentar com um espaçamento entre as pessoas, cada um em uma ponta da mesa. Se der, se houver uma área ao ar livre, como quintal, varanda, é melhor lá do que na sala. Já está provado que ao ar livre a transmissão diminui.
Paulo Menezes, epidemiologista e coordenador do Centro de Contingência

"A recomendação segue sendo não aglomerar mas, se tiver que se ver, fazer com distanciamento, máscara e preferencialmente em ambientes ventilados ou abertos. E na hora da refeição, quando a máscara é retirada, procurar comer isoladamente e sem falar", concorda Stanislau.

Este também é o recado do secretário estadual da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, infectologista do Hospital Emílio Ribas.

"Se [os encontros] puderem ainda ser feitos em ambientes abertos, ventilados, arejados, evitando essas grandes aglomerações, especialmente os almoços, então tenham essa atenção", afirmou o secretário, durante coletiva na última sexta (7).

Dia das mães pode gerar nova onda?

Para os especialistas, um novo pico de casos de covid pode ocorrer ou não independente do Dia das Mães. Para eles, tudo depende mais da flexibilização social nos estados do que a data em si.

A nova onda independe do Dia das Mães, já está se formando no cotidiano dos deslocamentos, nas insistentes aglomerações --clandestinas ou não-- no uso inadequado de máscara e, sobretudo, na baixa cobertura vacinal. Parece-me inevitável e o Dia das Mães poderá ser apenas mais um elemento. Porém não deve ser imputado como determinante.
Evaldo Stanislau, infectologista do HC-SP

Em São Paulo, por exemplo, o governo anunciou na última sexta (7) a manutenção da chamada fase de transição, que já dura três semanas, por mais 15 dias, até 23 de maio, mas com o horário ampliado para até 21h e ocupação máxima de 30% nos estabelecimentos. Até ontem, os estabelecimentos funcionavam até as 20h e com 25% da capacidade, no máximo.

"Temos que manter pelo menos este nível de controle. Se os casos começarem a subir, talvez seja o caso de estreitar mais. Se houver uma [flexibilização] grande, talvez ocorra [uma nova onda]", afirma Boulos, que também faz parte do Centro de Contingência.

Como prevenir

Se você vai passar a data com a sua mãe, os especialistas sugerem algumas dicas para que o dia não tenha consequências negativas:

  • Evitar aglomeração e manter o encontro no núcleo familiar.
  • Preferir lugares externos e arejados.
  • Não abraçar sem máscara.
  • Usar máscara enquanto não estiver comendo.
  • Manter distância de pelo menos 1,5 metro durante a refeição.
  • Não ir ao encontro caso tenha qualquer sintoma de covid, mesmo que leve.

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