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Quais são as vacinas contra a covid-19 atualmente em uso no Brasil?

Vacina da Pfizer é aplicada em posto de vacinação contra a covid-19 em São Paulo - Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Vacina da Pfizer é aplicada em posto de vacinação contra a covid-19 em São Paulo Imagem: Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Gabriel Toueg

Colaboração para o UOL, em São Paulo

03/06/2021 04h00

O PNI (Programa Nacional de Imunização) brasileiro conta atualmente com três vacinas contra a covid-19 aprovadas e em utilização no mundo:

  • a CoronaVac,
  • a Oxford/AstraZeneca
  • e a Pfizer/BioNTech.

Conheça um pouco sobre as vacinas já aprovadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e atualmente disponíveis para o braço dos brasileiros contra o novo coronavírus.

CoronaVac

Primeira a começar a ser usada no país, em 17 de janeiro de 2021, a CoronaVac foi desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e é produzida pelo Instituto Butantan, no estado de São Paulo.

A administração é feita em duas doses e o intervalo recomendado entre elas é de 21 a 28 dias. É a mais utilizada na imunização até agora.

Embora o estudo de fase 3, conduzido no país, tenha inicialmente determinado eficácia ao redor de 50,38% para proteção de casos sintomáticos, um estudo mais recente e com um intervalo maior entre as duas doses (21 ou 28 dias) verificou eficácia maior da CoronaVac: 64%.

A CoronaVac utiliza a tecnologia de vírus inativado, similar à da vacina da gripe. O Sars-CoV-2, vírus causador da covid-19, é modificado para que não seja infectante. O imunizante induz uma resposta imune moderada com uma única dose. A proteção até 14 dias após a primeira dose é baixa se comparada às vacinas de mRNA (Pfizer e Moderna).

Oxford/AstraZeneca

A vacina Covishield, desenvolvida pela Universidade Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, ambas do Reino Unido, tem um intervalo maior entre as duas doses: de três meses. Foi o segundo imunizante a ser aplicado no país.

Ao divulgar inicialmente a eficácia, a AstraZeneca apontou que ela era maior (90%) em pessoas que recebiam uma dose inicial mais baixa seguida por uma segunda dose normal cerca de um mês depois. Em pessoas que receberam duas doses completas com intervalo de 30 dias, a taxa verificada foi de 62%. De acordo com a empresa, a eficácia seria uma "média", atingindo 70%, portanto.

Mas, ao reconduzir os testes com um intervalo maior —de 12 semanas—, os cientistas disseram que a eficácia aumentou para cerca de 76%, por isso o laboratório passou a recomendar esse novo período.

A Covishield é produzida a partir de um adenovírus (vírus causador de resfriados) de chimpanzé modificado para carregar o código genético do Sars-CoV-2 não infectante e oferece proteção cerca de 21 dias após a primeira dose. A recomendação, entretanto, é tomar ambas as doses para uma proteção completa.

Pfizer/BioNTech

Mais recente a entrar no "cardápio" do PNI, a Cominarty, vacina da norte-americana Pfizer desenvolvida em parceria com o laboratório alemão BioNTech, também tem intervalo de três meses entre as duas doses. A vacina foi aprovada pela Anvisa para uso definitivo no Brasil em 23 de fevereiro.

A Pfizer foi a primeira a anunciar a eficácia de uma vacina contra a covid-19: 95%. No entanto, o maior estudo feito até o momento, com mais de 370 mil pessoas, reavaliou a efetividade das vacinas da Oxford e da Pfizer e notou que, com um intervalo de três meses, ambas tiveram eficácia semelhante, de mais de 90%. Por essa razão, o Ministério da Saúde passou a recomendar esse intervalo para a aplicação também da vacina da Pfizer.

A vacina da Pfizer é produzida com uma tecnologia que utiliza o RNA mensageiro para levar ao organismo o código genético da proteína da espícula (a "coroa" que dá nome ao coronavírus). Não há nenhum vírus morto, vivo ou modificado neste imunizante, que oferece proteção de mais de 80% 14 dias após a primeira dose (lembrando que a recomendação é fazer a imunização completa, com as duas doses).

Vacinas ainda não disponíveis

A vacina russa Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, não foi ainda aprovada pela Anvisa. Por enquanto, o imunizante teve seu pedido de registro no Brasil rejeitado pelo órgão. No dia 26 de abril, a Anvisa negou a autorização para importar e para o uso emergencial do imunizante russo. Ainda não há previsão para que a Anvisa volte a analisar os novos documentos solicitados ao instituto russo.

O imunizante desenvolvido e fabricado pela Janssen-Cilag, braço farmacêutico da norte-americana Johnson & Johnson, é o único já aprovado para uso emergencial no país aplicado em dose única —foi aprovado em 31 de março. Seu uso no Brasil, entretanto, ainda não começou.

Há movimentações para que a aprovação para uso da vacina tenha seus trâmites acelerados, mas até o momento não há previsão para o começo da aplicação. A eficácia da vacina contra casos graves de covid-19 é de 66%.

Outra vacina disponível no mundo é a da empresa norte-americana Moderna, que fornecerá cerca de 500 milhões de doses para o Covax Facility, o consórcio liderado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) —o Brasil, entretanto, não está na lista de 92 países que receberão o imunizante por ter uma economia com "autofinanciamento potencial", segundo a entidade. A vacina foi aprovada para uso emergencial no fim de abril pela OMS.

Imunizantes produzidos no Brasil

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem atualmente 18 vacinas contra a covid-19 sendo desenvolvidas, mas todas em estágio inicial.

As mais promissoras até o momento são a ButanVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan, a Versamune, feita pela USP de Ribeirão Preto em parceria com a Farmacore, e a Spintec, coordenada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

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