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Doria diz que SP manterá vacinação de adolescentes: 'Suspensão é descabida'

Governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas - Aloisio Maurício/Estadão Conteúdo
Governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas Imagem: Aloisio Maurício/Estadão Conteúdo

Anna Satie e Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

16/09/2021 17h52Atualizada em 16/09/2021 19h10

A decisão do Ministério da Saúde de suspender a imunização contra covid-19 de jovens de 12 a 17 anos pegou o governo de São Paulo e o seu Comitê Científico de surpresa.

Em vídeo, o governador João Doria (PSDB) chamou a medida de "descabida" e afirmou que o estado continuará a vacinação. O Comitê Científico, que auxilia o governo nas decisões da pandemia, considera a medida "absurda" e diz que não tem respaldo científico.

"Fico surpreso e indignado, como pai que sou de adolescentes, com essa orientação do Ministério da Saúde. Descabida e, ao mesmo tempo, que traz intranquilidade para milhões de pais em todo o Brasil", afirmou Doria, em vídeo publicado nas redes sociais.

Não há nenhuma razão concreta, que a ciência determine e ampare, para suspender a vacinação de jovens de 12 a 17 anos. Então, São Paulo vai seguir vacinando jovens de 12 a 17 anos."
João Doria, governador (PSDB-SP)

Mais cedo, o governo do estado já havia criticado a decisão, em nota oficial. A administração disse que a medida causa "apreensão em adolescentes".

"Coibir a vacinação integral dos jovens de 12 a 17 anos é menosprezar o impacto da pandemia na vida deste público. Três a cada dez adolescentes que morreram com covid-19 não tinham comorbidades em São Paulo. Este grupo responde ainda por 6,5% dos casos e, assim como os adultos, está em fase de retomada do cotidiano, com retorno às aulas e atividades socioculturais", afirma o comunicado.

A decisão enfrenta, no entanto, um obstáculo logístico. Embora os estados possam comprar vacinas separadamente, o único imunizante autorizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a ser aplicado em adolescentes é o da Pfizer, que, até então, negocia exclusivamente com o governo federal.

Isso significa que São Paulo e qualquer outro estado depende do repasse de doses do PNI (Plano Nacional de Imunização) para seguir na vacinação dos adolescentes.

Além das faixas etárias abaixo dos 18 anos, há ainda as segundas doses de quem já foi vacinado com Pfizer e a terceira dose para os idosos, que também deve ser administrada com este imunizante, segundo o ministério.

Não tem sentido técnico, diz coordenador do Comitê

Para o epidemiologista Paulo Menezes, coordenador do Comitê Científico de São Paulo, a decisão não é embasada em estudos e deverá ser revertida em breve. "É uma coisa completamente sem sentido técnico, que contraria totalmente qualquer planejamento e indicação internacional", afirma.

Na tarde de hoje, o ministro Marcelo Queiroga justificou a ação, dizendo que há eventos adversos que precisam ser investigados, e criticou os estados por se adiantarem em relação à orientação federal. Segundo a pasta, 3,5 milhões de adolescentes foram vacinados até o momento em todo o país, e cerca de 1.500 relataram algum efeito adverso.

Entre os argumentos estabelecidos pelo ministério, está a baixa taxa de mortalidade e internações entre menores de 18 anos. Menezes argumenta, no entanto, que jovens transmitem da mesma forma.

Transmissão é a principal questão. Mesmo que a chance de ter um quadro grave seja muito baixa, não quer dizer que não vai se proteger. De acordo com o que tínhamos no início do ano, a faixa de casos nessa faixa era de 7% a 8%, não é desprezível. Com a [variante] delta, os que não estão protegidos ficam mais suscetíveis.
Paulo Menezes, coordenador do Comitê Científico de SP

"Estamos chocados. Do ponto de vista técnico, não tem o menor sentido", conclui o epidemiologista.

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