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Anvisa: Vacina não tem relação com doença autoimune de jovem morta em SP

A jovem faleceu sete dias depois da aplicação, mas sofria de doença autoimune rara e grave - iStock
A jovem faleceu sete dias depois da aplicação, mas sofria de doença autoimune rara e grave Imagem: iStock

Colaboração para o UOL

22/09/2021 20h38

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) lançou uma nota hoje à noite confirmando que a morte de uma adolescente em São Bernardo do Campo (SP) não teve relação com a vacina contra covid-19. A jovem faleceu sete dias depois da aplicação, mas sofria de doença autoimune rara e grave, chamada PTT (Púrpura Trombótica Trombocitopênica).

Segundo o laudo da Anvisa, validado pelos membros do CIFAVI (Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos), o diagnóstico é "de um quadro clínico característico" da condição autoimune. O ICMRA (International Coalition of Medicines Regulatory Authoritie) também participou do diagnóstico.

A equipe de avaliação também teve acesso a exames complementares e prontuários da adolescente. Assim, "a causalidade foi classificada como coincidente, ou seja, descartou-se a possibilidade de o óbito ter sido relacionado à administração da vacina".

Além disso, a investigação descartou qualquer doença cardiológica na paciente. A morte da jovem, que teve o nome preservado, foi citada semana passada quando o Ministério da Saúde recomendou a suspensão da imunização de adolescentes no Brasil. Ainda não tinha sido concluído um laudo.

Apesar da orientação, diversos estados não acataram o proposto e seguiram vacinando contra o coronavírus pessoas entre 12 e 17 anos sem comorbidades. O único imunizante aprovado pela Anvisa para essa faixa etária é a Pfizer.

A carta do Ministério veio no meio de falta de estoque de AstraZeneca em alguns estados, além de lotes retornados da CoronaVac. Ontem, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal Ricardo) Lewandowski determinou que os próprios estados e municípios devem decidir se vão ou não vacinar os jovens, seguindo evidências científicas.

Queiroga mantém discurso

Ontem, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reforçou seu discurso em defesa da interrupção da vacinação de adolescentes no Brasil — mesmo após o governo de São Paulo já ter descartado que a morte da jovem de São Bernardo tenha sido causada pela vacina.

O ministro, que descobriu mais tarde estar infectado pelo coronavírus, também voltou a citar os "eventos adversos", mas focou no argumento de que o PNI (Programa Nacional de Imunizações) deve ser respeitado e a prioridade deve ser a vacinação dos maiores de 18 anos.

"Os eventos adversos existem e não são motivo para se suspender campanha de vacinação ou se relativizar os seus benefícios, mas a autoridade sanitária tem que avaliar", afirmou.

Questionado sobre se a vacinação poderia ser acelerada, ele respondeu que, "às vezes, acelerando demais você pode escorregar na curva", acrescentando que o "Brasil já vai muito bem na vacinação".

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