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São Paulo registra falta de AstraZeneca para 2ª dose em mais de 100 postos

Vacinação contra a covid-19 na UBS Jardim Guanabara, zona oeste de São Paulo - Rogério Galasse/Futura Press/Estadão Conteúdo
Vacinação contra a covid-19 na UBS Jardim Guanabara, zona oeste de São Paulo Imagem: Rogério Galasse/Futura Press/Estadão Conteúdo

Letícia Mutchnik e Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

22/09/2021 18h27

Maria Alice Santos, 44, não sabia qual vacina contra a covid-19 ia receber enquanto aguardava para tomar a segunda dose na fila da UBS Dr. José de Barros Magaldi, no Itaim Bibi, em São Paulo. Ela tomou a AstraZeneca há três meses, mas, em mais de 30 minutos de espera nesta tarde, já havia ouvido que as doses tinham acabado e poderiam aplicar a Pfizer.

Esta era a realidade em pelo menos 115 pontos vacinação da capital paulista no fim da tarde de hoje, de acordo com o site "De Olho na Fila", da Prefeitura de São Paulo. A Secretaria Municipal de Saúde diz ter as doses e argumenta que as faltas são pontuais, causadas pela alta demanda, e supridas no mesmo dia. Para contornar, os postos têm recorrido à "intercambialidade" com a Pfizer —ou seja, a segunda dose diferente da primeira (leia mais abaixo).

O desabastecimento de AstraZeneca tem acontecido em todo o país desde o início do mês. Há duas semanas, pelo menos 10 capitais atrasaram a aplicação da segunda dose por falta do imunizante. A fabricante Fiocruz alegou um atraso no recebimento de insumos, mas os envios já foram realizados.

Na capital paulista, os relatos são que tem ocorrido um leva atrás de vacinas à medida que as doses vão acabando. O Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza, na Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), em Pinheiros, apresentou falta no início da manhã, mas normalizou em poucas horas.

O mesmo ocorreu na UBS República, no Centro, na tarde de ontem. Hoje pela manhã, foi reabastecida. Com menos fila do que o habitual, o designer Paulo Lobo, 42, foi ao ponto à frente da prefeitura porque lhe informaram que o posto na Bela Vista onde havia tomado a primeira dose estava aplicando Pfizer.

"Eu não quis misturar. Não sei se é ruim ou bom —a gente nunca sabe—, mas preferi terminar com a que comecei", disse Lobo.

O Ministério da Saúde liberou a intercambialidade com segunda dose da Pfizer na primeira quinzena de setembro para tentar contornar o problema. O estado de São Paulo aderiu na semana passada, mas esperava ter a questão resolvida com a chegada dos novos lotes.

A mistura destas vacinas foi aprovada pelo ministério e pelo PEI (Plano Estadual de Imunização) e Comitê Científico do Estado, além da OMS (Organização Mundial da Saúde) e já era autorizada em casos específicos como o das grávidas que receberam a primeira dose da AstraZeneca. Já existem estudos que mostram que essa troca é segura para quem recebe os imunizantes.

"Eu achava era bom"

Nem todos viam a falta com maus olhos. Carolina Dias, 42, estava há 25 minutos na fila da UBS Vila Sônia, na zona oeste, quando descobriu que, na falta da AstraZeneca, estavam aplicando Pfizer.

Ela diz ter ficado feliz. Poucos minutos depois, no entanto, chegaram mais unidades do imunizante da Fiocruz. "[Pfizer] é a que eu queria ter tomado desde o começo, mas não tinha", afirma a empreendedora. "Então, eu achava era bom. O importante é estar vacinado."

Faltas são pontuais, diz Prefeitura

Ao UOL, a Prefeitura de São Paulo confirmou que "podem ocorrer faltas pontuais em algumas unidades devido à grande procura", mas que há remanejamento instantâneo para as unidades que registrarem falta.

Até lá, a recomendação é se aplique a Pfizer. A reportagem não registrou nenhuma unidade que estava com falta das duas. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a cidade recebeu hoje 831.475 doses de vacinas contra covid-19.

A Secretaria Estadual da Saúde confirmou o envio das 831,4 mil doses e afirmou que mais de 212,4 mil delas são da AstraZeneca.

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