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Conteúdo publicado há
1 mês

Vecina: Precisamos de semanas para saber eficácia de vacinas contra ômicron

Colaboração para o UOL, no Rio

29/11/2021 08h40Atualizada em 29/11/2021 16h34

O médico sanitarista e fundador e ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) Gonzalo Vecina disse no UOL News desta manhã que só saberemos da eficácia das atuais vacinas da covid-19 contra a ômicron dentro de três a quatro semanas.

Na sexta-feira (26), o laboratório alemão BioNTech, parceiro da Pfizer na produção de vacinas, informou que espera ter, em até duas semanas, os primeiros resultados dos estudos para determinar se a nova variante escapa da proteção oferecida pelo imunizante. Também na sexta-feira, a OMS (Organização Mundial da Saúde) disse que serão necessárias várias semanas para saber o nível de transmissão e a virulência da ômicron.

"Se a ômicron mudou a proteína Skipe (que interage com as células humanas) na resposta imunológica) a vacina não localizará o vírus. Aí o vírus entra e faz o seu estrago normal. Esse é o grande receio que todos temos por causa das muitas mutações que a ômicron tem", disse Vecina.

Covid-19: O que se sabe até agora sobre a variante ômicron

Para Vecina, se as atuais vacinas forem eficazes, basta os países seguirem vacinando. Além disso, ele destaca a importância da realização de exames de detecção do novo coronavírus e do isolamento de infectados.

Diminuir o número de pessoas novas infectadas deve ser a estratégia mais importante, e continuar vacinando
Gonzalo Vecina

Restrições à África

Para o ex-presidente da Anvisa, isolar países africanos por causa da ômicron só irá piorar a situação humanitária do continente. Até o momento, cerca de 20 países, incluindo o Brasil, fecharam suas fronteiras para algumas nações africanas por causa da nova variante, principalmente África do Sul, Botsuana, Suazilândia, Lesoto, Namíbia e Zimbábue.

"Quando a gente observa como um vírus como esse se alastra e causa dor, sofrimento e morte, a primeira coisa que a gente pensa é se afastar e afastar tudo isso de nós. Mas essa é uma medida boba e que desequilibra a humanidade", disse Vecina.

A OMS já se manifestou contra a suspensão de voos e outras medidas aplicadas ao sul da África. A entidade pediu para os países guiarem suas decisões pela ciência, já que as restrições de viagens em relação ao continente apenas reduzem "levemente a expansão da covid-19".

Impedir que pessoas da África circulem pelo mundo é uma medida que certamente irá piorar a situação do mundo todo e condenará a África a mais sofrimento ainda daquele pelo qual ela já foi condenada
Gonzalo Vecina

Origem da ômicron

Vecina cogita a possibilidade de a ômicron não ter surgido na África do Sul, que identificou a nova variante na última semana. Para ele, o país está sendo punido por ter tido uma capacidade de identificar a nova variante.

"Essa variante podia ter vindo da Rússia, dos países da antiga Iugoslávia, porque lá a doença está andando em uma velocidade muito alta, e alguém foi lá para a África do Sul... pode ser que tenha vindo da Europa para a África do Sul, e lá o sistema de vigilância epidemiológica está funcionando muito bem, tem um sistema de sequenciamento de vírus importante. Conseguiram identificar esse novo vírus e foram punidos por terem comunicado ao mundo 'cuidado, tem uma nova variante, e não sabemos como se comporta'", afirmou Vecina.

O médico sanitarista defende que Brasil faça exames de detecção do novo coronavírus em todas as pessoas que cheguem ao país e se coloquem em quarentena os casos suspeitos como forma de evitar a contaminação pela ômicron.

Atualmente, o Ministério da Saúde investiga um caso suspeito de contaminação pela ômicron de um brasileiro que chegou em São Paulo vindo da África do Sul no sábado (27) e testou positivo para a covid-19.

"Impedir que pessoas cheguem aqui é absolutamente impossível. A circulação de pessoas pelo mundo é uma circulação muito grande e não tem como ser contida dessa forma burocrática que todos esses países estão pensando em fazer", disse Vecina.

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