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Coronavírus

Covid-19: o que se sabe até agora sobre a variante ômicron

Do UOL, em São Paulo

26/11/2021 20h35Atualizada em 06/12/2021 21h16

A nova variante ômicron do SARS-CoV-2, considerada de preocupação, representa um "risco muito elevado" para o planeta, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). A declaração gerou alertas em alguns países, que passaram a adotar medidas de restrições, inclusive o Brasil, que registrava seis casos da nova variante até a última sexta-feira (3).

Até o momento, não existem estudos concretos sobre a capacidade de transmissibilidade da cepa ou se ela é capaz de driblar a imunização das vacinas. A própria OMS disse que serão necessárias várias semanas para compreender o nível de transmissão e a virulência da nova variante. "Até o momento não se registrou nenhuma morte associada à variante ômicron", tranquilizou a organização nesta segunda.

Veja o que se sabe até o momento.

Onde foi detectada a nova variante do coronavírus?

A OMS recebeu o primeiro registro da variante B.1.1.529 da África do Sul, em 24 de novembro. Neste país, os registros ocorreram principalmente nas cidades de Joanesburgo e Pretória, na província de Gauteng, onde a incidência da covid-19 está bastante alta.

Cientistas estimam que até 90% dos novos casos de coronavírus em Gauteng estejam associados à variante ômicron. Eles dizem crer ainda que a cepa já se espalhou para outras oito províncias sul-africanas.

Quais países e territórias já detectaram casos da variante?

O quanto a nova variante é perigosa?

Até o momento, não existem dados epidemiológicos sólidos e suficientes para avaliar o quanto a nova variante é infecciosa.

A preocupação dos pesquisadores é com o fato de ela demonstrar um número extremamente alto de mutações do coronavírus. Eles encontraram 32 mutações na chamada proteína "spike". Na variante delta, considerada altamente infecciosa, foram encontradas oito mutações.

Ao mesmo tempo em que o número dessas proteínas não é uma indicação exata do quão perigosa a variante pode ser, isso sugere que o sistema imunológico humano pode ter maior dificuldade em combater a nova variante.

Há indicações de que a ômicron possa escapar das respostas imunológicas, gerando riscos mais altos para as pessoas. Entretanto, as infecções com a nova variante podem não ser mais graves do que as anteriores. Os primeiros relatos dos médicos da África do Sul indicam que o vírus se espalha rapidamente, mas sem grande número de casos graves. "Essa observação na África do Sul ainda é empírica, mas corrobora a hipótese de atenuação do vírus e aumento da transmissibilidade", afirma Amilcar Tanuri, coordenador do Laboratório de Virologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Há ainda sinais de que ela se espalhe mais rapidamente, o que pode gerar novas sobrecargas aos sistemas de saúde dos países atingidos.

Há risco de reinfecção por causa da nova variante?

Segundo a OMS, sim. Estudos sugerem que a ômicron aumentaria a chance de uma pessoa que já tenha sido contaminada de voltar a ser infectada. Mas tratamentos contra versões severas da doença estariam mostrando eficácia também contra a mutação.

Como a nova variante se desenvolveu?

Uma teoria é que ela tenha emergido com todas as suas mutações de uma única vez.

O professor Francois Balloux, especialista em sistemas biológicos computacionais da University College de Londres, afirmou que é possível que o vírus tenha se modificado durante uma infecção crônica em um indivíduo, cujo sistema imunológico estivesse já enfraquecido por outra infecção com o vírus HIV.

Mas, até o momento, isso é somente especulação.

De onde veio o nome?

Ômicron é a 15ª letra no alfabeto grego, que tem sido usado para identificar as novas variantes do coronavírus. Já foram usadas alfa, beta, gamma e delta.

As vacinas são eficazes contra essa nova variante?

Ainda não se sabe. A OMS já disse que vai precisar de mais estudos para determinar isso. Os laboratórios responsáveis pela fabricação dos imunizantes também vão estudar isso.

O laboratório alemão BioNTech, parceiro da Pfizer na produção de vacinas, informou que espera ter, em até duas semanas, os primeiros resultados dos estudos para determinar se a nova variante escapa da proteção oferecida pelo imunizante.

Se isso acontecer, "a Pfizer e a BioNtech preveem que são capazes de desenvolver e produzir uma vacina sob medida contra a variante em cerca de cem dias", disse a farmacêutica.

Por enquanto, o governo de São Paulo disse apenas que, junto ao Butantan, responsável pela CoronaVac, segue monitorando as variantes nos testes positivos.

A Moderna, usada amplamente nos Estados Unidos, disse que testa a efetividade de três estratégias contra a ômicron, além de estudar se o nível de proteção fornecido pela atual dose dá conta de frear a variante.

A primeira tentativa trata do aumento da dose de reforço de 50 microgramas para 100 microgramas. A segunda pesquisa analisa dois candidatos à vacina que buscam se antecipar às mutações. A terceira opção trata de um reforço específico para a ômicron, conhecido como mRNA-1273.529.

É possível deter a nova variante?

Os vírus e suas variantes não respeitam fronteiras nacionais. Mas é possível retardar a disseminação da nova variante.

Como os casos detectados em Hong Kong e Israel foram rastreados até a África do Sul, muitos governos suspenderam voos vindos do país e de parte do continente africano. Foi o caso de várias nações da Europa e da Ásia, e outras devem seguir a mesma tendência.

As restrições de viagem podem ajudar a diminuir as transmissões, mas é possível que a ômicron já tenha sido transportada para vários outros países.

A OMS reforça ser importante que doses de vacinas contra covid-19 sejam distribuídas aos países mais pobres já que a variante "é prova de que a pandemia apenas vai ser controlada quando ela for freada em todas as partes".

Como o Brasil está reagindo?

O Brasil fechou as fronteiras para seis países da África por causa da variante. Os países são: África do Sul, Botsuana, Eswatini (ex-Suazilândia), Lesoto, Namíbia e Zimbábue.

Na sexta (26), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou uma nota técnica recomendando que o governo adote medidas de restrição para viajantes.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), se colocou contra o endurecimento das restrições. "Tudo pode acontecer. Uma nova variante é um novo vírus. O que fazer? Tem que se preparar! O Brasil não aguenta um novo lockdown", disse o presidente a jornalistas após evento na Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército, no Rio de Janeiro.

O Brasil tem casos confirmados da nova variante?

Sim. Até o fim da tarde de sexta-feira (3), havia seis casos confirmados da variante B1.1.529 no país, um deles no Rio Grande do Sul, dois no Distrito Federal, e três em São Paulo. As duas primeiras confirmações ocorreram no dia 30 de novembro. Os infectados são um casal de brasileiros —um homem de 41 anos e uma mulher de 37— que desembarcaram em Guarulhos (SP) de uma viagem da África do Sul. Nenhum dos dois possui registro de vacinação na plataforma estadual VaciVida, segundo a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.

(Com Reuters e DW)

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