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Jamil Chade

OMS critica fechamento indiscriminado de fronteiras contra africanos

Distribuição de comida durante a pandemia de covid-19 na África do Sul - LUCA SOLA / AFP
Distribuição de comida durante a pandemia de covid-19 na África do Sul Imagem: LUCA SOLA / AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

28/11/2021 17h40

A OMS (Organização Mundial da Saúde) critica o fechamento seletivo de fronteiras aos países africanos e faz um apelo para que países ricos e a comunidade internacional ajudem a região diante da variante ômicron. Para a agência, governos precisam seguir a ciência ao adotar medidas de restrição.

O pedido ocorre depois que países africanos passaram a ser alvo de barreiras por parte de Europa, EUA e dezenas de governos pelo mundo. As medidas foram implementadas depois que os sul-africanos informaram à OMS sobre a existência da nova mutação do vírus da covid-19.

A proliferação de barreiras, porém, deixou os países africanos indignados, alegando que estão sendo punidos por terem sido transparentes. Neste domingo, eles ganharam o apoio da OMS.

"As restrições de viagem podem ter um papel na redução da propagação da covid-19, mas colocam um pesado fardo sobre vidas e meios de subsistência", disse num comunicado o escritório da OMS na África.

"Se as restrições forem implementadas, elas não devem ser desnecessariamente invasivas ou intrusivas, e devem ter base científica, de acordo com o Regulamento Sanitário Internacional, que é um instrumento juridicamente vinculativo de direito internacional reconhecido por mais de 190 nações", defendeu.

A OMS ainda elogiou a ação dos sul-africanos em informar ao mundo sobre a nova variante. "A rapidez e transparência dos governos da África do Sul e do Botsuana em informar o mundo sobre a nova variante é de elogiar. A OMS está com países africanos que tiveram a coragem de compartilhar corajosamente informações de saúde pública que salvam vidas, ajudando a proteger o mundo contra a propagação da covid-19", disse Matshidiso Moeti, Diretor Regional da OMS para a África. "Peço a todos os países a respeitarem suas obrigações legais e implementarem ações de saúde pública cientificamente fundamentadas", afirmou.

Para ele, é fundamental que os países que estão sendo transparentes com seus dados sejam apoiados. "Enquanto prosseguem as investigações sobre a variante, a OMS recomenda que os países adotem uma abordagem baseada no risco e científica e implementem medidas que possam limitar sua possível propagação", disse.

A entidade destaca que, apesar das proibições de voos terem sido impostas aos países da África Austral, "até agora apenas dois detectaram a nova variante". "Enquanto isso, países de outras regiões relataram casos da ômicron", destaca a OMS.

"Com a variante agora detectada em várias regiões do mundo, a implementação de proibições de viagens que visam a África ataca a solidariedade global", denuncia a agência.