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Coronavírus

Caso um da síndrome da Zika, Catarina, de 5 anos, é vacinada contra a covid

Catarina sorri com o cartão de vacinação contra a covid - Arquivo pessoal
Catarina sorri com o cartão de vacinação contra a covid Imagem: Arquivo pessoal

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

17/01/2022 04h00

Considerada o "caso um" das crianças que têm síndrome congênita associada à infecção pelo vírus Zika, Catarina Maria, de 5 anos, está vacinada contra a covid-19. A menina foi imunizada ontem (15), em ação da Secretaria de Saúde de Campina Grande (PB), que vacinou crianças que fazem tratamento no Ipesq (Instituto Professor Joaquim Amorim Neto).

"Ela não teve reação nenhuma. Estamos muito felizes", conta a mãe de Catarina, a fisioterapeuta Conceição Alcântara.

A gravidez de Catarina é considerada o ponto de partida para a confirmação de que o Zika seria o responsável pelos casos de microcefalia que assombravam o Nordeste em 2015.

Apesar do acometimento pelo vírus, a menina fez terapias e conseguiu evoluções cognitiva e motora consideradas surpreendentes por especialistas.

Nova vitória

O pai de Catarina, o professor Mário Filho, afirma ao UOL que sentimento é de gratidão pela chegada do momento. "Para quem viveu e ainda vive a pandemia com os cuidados que temos para evitar que ela fosse contaminada, a vacina é um divisor de águas", diz.

Ele lembra que, durante a pandemia, foi necessária toda uma readaptação da família a fim de evitar que alguém pegasse a doença.

Nesses quase dois anos de pandemia muitas lutas foram travadas, perdemos entes queridos. Inclusive, deixamos em algum momento de levar a nossa filha para o tratamento no intuito de protegê-la ainda mais. Muita coisa mudou na nossa rotina, os cuidados foram redobrados porque com uma criança especial sempre é assim. Mas conseguimos vencer e chegamos até o dia de hoje. É impossível não se emocionar".
Mário Filho, pai de Catarina

Catarina no colo da mãe e ao lado do pai e da médica Adriana Melo - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Catarina no colo da mãe e ao lado do pai e da médica Adriana Melo
Imagem: Arquivo pessoal

Pai e mãe de Catarina esperam agora que o exemplo da sua filha sirva de motivação para que todas as crianças sejam imunizadas no país.

"Desejamos que todos possam se conscientizar sobre a importância da vacina e de sua eficácia. Sabemos que desafios ainda existem, a pandemia persiste, mas a vacina é um grande passo dado na direção de dias melhores. Então esperamos que todos possam refletir e chegar a conclusão de que vacinar é proteger", diz Mário.

A expectativa agora está não só para a segunda dose de Catarina, em oito semanas, mas também na chegada da primeira irmã dela, Clarice Maria. "Ela vai ganhar uma irmãzinha e está muito feliz; estou com 22 semanas de gestação", conta Conceição.

Vacina é segura, diz médica

Além de Catarina, a Secretaria de Saúde de Campina Grande vacinou ontem outras crianças com a síndrome que fazem tratamento na cidade, que deu início a vacinação infantil no estado da Paraíba.

A diretora do Ipesq, a médica e pesquisadora Adriana Melo, conta que como muitas mães a procuram para saber se a vacina é segura, ela resolveu fazer um post para explicar que é.

"Cuido das crianças vítimas do zika vírus desde a gravidez de muitas dessas mães e jamais as colocaria em risco se eu tivesse qualquer dúvida da eficácia e segurança da vacina", afirma.

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