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Reino Unido pede que agência avalie segurança de vacina da AstraZeneca

Ampolas da vacina contra covid-19 da AstraZeneca com a Universidade de Oxford - Divulgação
Ampolas da vacina contra covid-19 da AstraZeneca com a Universidade de Oxford Imagem: Divulgação

27/11/2020 10h36

O Reino Unido deu um voto de confiança à vacina contra Covid-19 da AstraZeneca nesta sexta-feira, quando pediu que sua agência reguladora a avalie com vista a um lançamento depois que especialistas expressaram dúvidas sobre dados do teste e a empresa disse que pode realizar outro estudo para medir a eficácia do medicamento.

O governo britânico garantiu 100 milhões de doses da vacina, desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, o maior suprimento que já encomendou de qualquer vacina para o combate à pandemia.

A farmacêutica britânica acredita que 4 milhões de doses estarão disponíveis no país até o final do mês que vem, e o ministro da Saúde, Matt Hancock, almeja o início de um lançamento antes do Natal.

"Pedimos formalmente à agência reguladora que avalie a vacina Oxford/AstraZeneca para entender os dados e determinar se ela cumpre padrões de segurança rigorosos", explicou Hancock.

"Esta carta é um passo importante para a disponibilização de uma vacina da forma mais rápida possível com segurança."

A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) iniciou uma "revisão contínua" acelerada da vacina no começo deste mês, e estão surgindo dados sobre segurança e eficácia.

Na corrida global para se desenvolver vacinas contra a Covid-19, a candidata da AstraZeneca é considerada uma das maiores esperanças para muitos países em desenvolvimento porque é barata e pode ser transportada em temperaturas de geladeiras comuns.

Autoridades das Filipinas disseram nesta sexta-feira que encomendarão 2,6 milhões de doses do produto da AstraZeneca, seu primeiro acordo de suprimento de uma vacina contra Covid-19, e que estão negociando uma compra possível de mais 1 milhão de doses.

Os anúncios surgiram apesar de alguns cientistas terem questionado a robustez dos resultados que mostram que a vacina foi 90% eficiente em um subgrupo de participantes de estudo que, inicialmente por engano, receberam meia dose seguida por uma dose inteira.

Na segunda-feira, a AstraZeneca disse que sua vacina experimental preveniu em média 70% dos casos de Covid-19 em testes de estágio avançado no Reino Unido e no Brasil.

Embora a taxa de sucesso tenha sido de 90% no subgrupo de participantes, alguns especialistas disseram que o número relativamente pequeno de participantes tornou difícil ter confiança nas conclusões.

Pauline Londeix, cofundadora do OT-Med, grupo francês de defesa da transparência nos remédios, disse que a confusão aparente dos resultados do teste "se deve em grande parte à corrida na qual as farmacêuticas estão envolvidas no momento, o que as leva a apresentar candidatas a vacina da melhor forma possível e a não divulgar protocolos e resultados completos".

(Por Alistair Smout em Londres e Karen Lema em Manila; reportagem adicional de Kate Kelland em Londres e Matthias Blamont em Paris)

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