Exército sírio assume controle de reduto rebelde e oposição teme massacre


DAMASCO, 1 Mar 2012 (AFP) -O Exército sírio anunciou que assumiu nesta quinta-feira o controle total do bairro rebelde de Baba Amr, após dois dias de combates com os insurgentes, que anunciaram uma "retirada tática" e se declararam preocupados com um possível massacre na tomada de seu reduto em Homs.

Quase um ano depois da explosão de uma revolta que inicialmente era pacífica, a oposição, incapaz de derrubar o regime com suas manifestações, anunciou finalmente a criação de um "gabinete militar", reconhecendo "a importância de controlar a resistência armada na Síria".

"O Exército sírio controla a totalidade de Baba Amr, caíram todos os últimos focos de resistência", afirmou à AFP uma fonte dos serviços de segurança em Damasco.

"Os soldados estão distribuindo alimentos à população que estava bloqueada e retirando os feridos", completou a mesma fonte, segundo a qual os rebeldes permanecem nos bairros de Hamadiyeh e de Khaldiyeh, e as operações de desalojamento prosseguirão.

Ao mesmo tempo, o coronel Riad Assad, comandante do Exército Sírio Livre (ESL), composto principalmente por desertores que abandonaram o regime após a mobilização opositora iniciada em março de 2011, anunciou uma "retirada tática" de seus combatentes de Baba Amr, bairro cercado e bombardeado há 27 dias pelas forças do regime de Bashar al-Assad.

A oposição síria também apelou à comunidade internacional para que intervenha e detenha um "potencial massacre" com a tomada de Baba Amr pelas forças leais ao governo.

"Pedimos à comunidade internacional, muçulmana e árabe que intervenham imediatamente para evitar um potencial massacre de milhares de crianças, mulheres e idosos", afirmou o Conselho Nacional Sírio (CNS) em um comunicado.

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres, pelo menos 17 civis morreram nesta quinta-feira nos combates entre o Exército sírio e os combatentes do ESL nos arredores de Baba Amr.

Após o anúncio da tomada de controle do bairro pelo Exército regular, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou ter recebido "sinais positivos" das autoridades sírias sobre sua iniciativa de estabelecer uma trégua humanitária durante duas horas diárias.

O CICV e o Crescente Vermelho Árabe Sírio (CRAS) também indicaram que entrarão na sexta-feira em Baba Amr.

"O CICV e o CRAS irão na sexta-feira a Baba Amr para enviar ajuda humanitária e evacuar os feridos", assegurou o porta-voz do CICV em Damasco, Saleh Dabakeh.

Na sexta passada foram evacuados sete feridos, assim como 20 mulheres e crianças de Baba Amr e na segunda-feira, três pessoas, exceto os jornalistas estrangeiros feridos.

O CICV conseguiu enviar ajuda a Homs (centro) e a Idleb (noroeste), havia afirmado na terça-feira uma porta-voz da organização humanitária em Genebra. A ajuda chegou ao Crescente Vermelho Sírio, mas não pôde ser distribuída devido aos combates.

Também nesta quinta-feira, o Conselho de Segurança da ONU pediu ao governo sírio que permita "um acesso livre, total e imediato do pessoal humanitário a todas as populações que precisem ser resgatadas".

A entidade "condena a situação humanitária que se agrava rapidamente" na Síria, principalmente "nas regiões afetadas pelos combates e pela violência como Homs, Hama, Dera e Idlib".

Os membros do Conselho "expressam sua profunda decepção" após a decisão de Damasco "de não autorizar de forma oportuna" a responsável pelas operações humanitárias da ONU, Valerie Amos, a ingressar na Síria para avaliar a situação no local. Pedem, ainda, às "autoridades sírias dar um acesso imediato e sem entraves" ao país.

O Conselho também pede "a todas as partes envolvidas na Síria, e em particular às autoridades sírias, que cooperem plenamente com as Nações Unidas e com as organizações humanitárias envolvidas para facilitar o fornecimento de ajuda humanitária e permitir a evacuação de feridos de áreas afetadas" pela violência.

O Parlamento do Kuwait aprovou nesta quinta uma resolução não vinculante para o governo que defende o envio de armas à oposição síria e o rompimento das relações diplomáticas com Damasco. O primeiro-ministro do Qatar, Hamed ben Khasem al-Thani, afirmou que seu país está disposto a estudar "todas as opções" para salvar o povo sírio.

Diante da violência que matou mais de 7.600 pessoas desde março de 2011 e da grave crise humanitária, o Conselho de Direitos da ONU aprovou uma resolução de condenação às "violações cada vez mais graves dos direitos humanos" na Síria e que pede ao regime de Bashar al-Assad uma autorização de "acesso sem obstáculos" às Nações Unidas e as agências humanitárias.

O tempo também é curto para os dois jornalistas franceses, Edith Bouvier e William Daniels, feridos e provavelmente bloqueados em Homs.

Bouvier, que trabalha para o jornal Le Figaro, foi gravemente ferida em 22 de fevereiro no bombardeio que matou a repórter americana Marie Colvin e o fotógrafo francês Rémi Ochlik.

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