Papa pede orações por africanos mortos no Saara e Mediterrâneo


CIDADE DO VATICANO, 01 Nov 2013 (AFP) - O Papa Francisco pediu nesta sexta-feira a todos os cristãos que rezem pelos refugiados que morreram quando tentavam atravessar o deserto do Saara e o Mar Mediterrâneo em busca de "melhores condições de vida", em um novo apelo pela solidariedade aos imigrantes.

Dirigindo-se à multidão reunida na Praça de São Pedro para o Angelus, em ocasião da festa católica de Todos os Santos, Francisco saiu do roteiro para adicionar esta súplica depois de pedir orações pelos cristãos perseguidos ao redor do mundo.

"De uma maneira especial, vou rezar por nossos irmãos e irmãs, homens, mulheres e crianças, mortos vítimas da fome, sede, fadiga, em seu caminho para encontrar melhores condições de vida. Nos últimos dias, temos visto nos jornais imagens cruéis do deserto. Oremos em silêncio por todos esses irmãos e irmãs", pediu.

A multidão o obedeceu e um silêncio impressionante se instalou entre os cerca de 60.000 fiéis presentes.

Recentemente, os corpos de 92 pessoas (52 crianças, 33 mulheres e 7 homens), aparentemente cidadãos do Níger, que tentavam chegar à Argélia, foram encontrados no deserto do Saara. As autoridades acreditam que os emigrantes morreram no início de outubro.

O drama teria acontecido depois que "um dos veículos que os transportava até Tamanrasset, na Argélia, quebrou", segundo o governo do Níger.

O Níger, um dos países mais pobres do continente , onde as crises alimentares são recorrentes, enfrenta, como muitos outros países africanos, uma grande emigração.

No início da noite, ao final da missa no cemitério Verano em Roma, o Papa voltou a mencionar o destino trágico desses africanos, mortos no deserto e no mar, nos vários naufrágios registrados em outubro.

"Oremos também por aqueles que sobreviveram. Neste momento, eles estão em abrigos lotados, esperando que os procedimentos legais sejam acelerados, para poderem partir para outros locais mais seguros, em outros centros de acolhida", acrescentou em um apelo direto às autoridades italianas.

O Papa, filho de imigrantes italianos na Argentina, é muito sensível à tragédia da imigração clandestina. Ele defendeu em várias ocasiões a legitimidade da vontade de homens e mulheres de partirem em busca de melhores condições de vida, quando as guerras, violências étnicas, perseguições e miséria assombram o futuro em seus países de origem.

Ele também condena os traficantes que exploram essas pessoas, tomando todos os bens dessas pessoas e tratando-as de maneira cruel e degradante, muitas vezes, com a cumplicidade das autoridades locais corruptas.

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