Liga Árabe apoia Arábia Saudita frente a 'atos hostis' do Irã

Cairo, 10 Jan 2016 (AFP) - Os países da Liga Árabe expressaram neste domingo no Cairo sua solidariedade à Arábia Saudita na crise diplomática que a opõe ao Irã e que ameaça fracassar os esforços para resolver os conflitos no Oriente Médio, incluindo a guerra na Síria.

O Irã acusou a Arábia Saudita de tentar prejudicar as negociações de paz sobre o conflito sírio, que em teoria devem começar no final de janeiro, uma acusação que Riad recusou fortemente.

Riad e Teerã, duas potências envolvidas na guerra na Síria e em outros conflitos na região, atravessam uma grave crise diplomática desde que a Arábia Saudita executou um clérigo xiita - figura da oposição saudita - no começo de janeiro.

Sua execução provocou manifestações e ataques contra as representações diplomáticas sauditas no Irã, o que levou Riad a romper relações diplomáticas com Teerã.

Os ministros das Relações Exteriores dos países da Liga Árabe, que se reuniram em cúpula neste domingo no Cairo para uma reunião de urgência solicitada por Riad, expressaram sua "solidariedade total" com a Arábia Saudita diante dos "atos hostis e provocações do Irã".

A organização pan-árabe condenou "as declarações hostis do Irã" contra a Arábia Saudita, em reação ao "cumprimento de decisões de justiça que concernem a um grupo de terroristas". O clérigo xiita Nimr al Nimr foi executado junto a outras 46 pessoas por "terrorismo".

A Liga Árabe também classificou as declarações do Irã, uma potência xiita, de "interferência nos assuntos do reino" saudita sunita.

A Arábia Saudita recebeu no sábado o apoio do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), que ameaçou o Irã a "tomar medidas" se continuar com suas "agressões".

- 'Influenciar negativamente' as negociações -Enquanto os chefes da diplomacia dos países árabes estavam reunidos no Cairo, o ministro das Relações Exteriores do Irã acusava Riad de utilizar a crise diplomática para "criar tensões" e "influenciar negativamente" as negociações sobre a guerra na Síria.

A ONU espera concretizar a partir de 25 de janeiro em Genebra negociações entre o regime sírio de Bashar Al-Assad, que conta com o apoio de Teerã e os insurgentes, apoiados pela Arábia Saudita.

"Não permitiremos que as ações sauditas tenham um impacto negativo na resolução da crise síria", declarou o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, em um comunicado.

Seu homólogo saudita, do Cairo, respondeu que seu país "apoia plenamente" as negociações sobre o conflito sírio.

"Acreditamos e apoiamos plenamente (o processo), apesar das nossas diferenças com o Irã", afirmou o ministro das Relações Exteriores saudita, Adel al Jubeir.

Por sua parte, o emissário da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, em visita a Teerã, assegurou também que a crise diplomática entre ambas potências da região não afetará as negociações.

A Arábia Saudita rompeu relações diplomáticas com o Irã no último 3 de janeiro. O Bahrein seguiu seus passos e também rompeu relações com a República Islâmica.

Os Emirados Árabes Unidos decidiram reduzir as relações diplomáticas com Teerã, enquanto o Kuwait, o Catar e as ilhas Comores chamaram para consultas seus embaixadores no Irã.

O Irã, por sua vez, acusou a aviação saudita de ter bombardeado sua embaixada no Iêmen. A coalizão árabe, liderada pela Arábia Saudita, negou a acusação.

No Cairo, o ministro das Relações Exteriores saudita acusou o Irã de "interferir nos assuntos dos países árabes para fomentar as tensões sectárias e desestabilizar sua segurança e estabilidade".

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