A importância de Iowa nas eleições presidenciais dos EUA

Washington, 28 Jan 2016 (AFP) - Em 19 de janeiro de 1976, um então pré-candidato à presidência pouco conhecido nos Estados Unidos, Jimmy Carter, venceu as primárias do Iowa, depois de promover uma intensa campanha neste estado que tem um papel básico no processo eleitoral americano.

É neste estado rural do meio-oeste, com uma população de 3,1 milhões de pessoas espalhadas entre o milho e a soja crescendo por uma área um pouco maior que a da Grécia, que os 15 pré-candidatos para democratas e republicanos vão concentrar suas forças.

Iowa não realiza primárias, como acontece com a maioria dos estados.

Ao invés disso, opta pelo "caucus" ou comitê eleitoral - um nome de origem indígena, assim como o nome do estado -, que designa por diferentes etapas os delegados de um estado às convenções republicana e democrata que indicarão seus candidatos respectivos às eleições presidenciais.

Os "caucus" de Iowa ganharam importância nos anos 70, com o início da cobertura em massa dos canais de televisão.

São pequenas assembleias eleitorais realizadas em escolas ou outros locais públicos e durante as quais os participantes, essencialmente militantes, designam delegados entre os candidatos em disputa.

Apesar das frustrações com o sistema em si, as apostas em Iowa são altas e fundamentais para o processo eleitoral do país.

Foi em Iowa que Hillary Clinton lançou sua campanha presidencial em 2007. E, em abril do ano passado, percorreu o estado depois de anunciar sua nova candidatura.

Ted Cruz já realizou 91 comícios lá. O recorde pertence ao ex-senador Rick Santorum, com 209 comícios em 73 dias de campanha no Iowa.

No total, de acordo com o jornal Des Moines Register, os candidatos já participaram de mais de 1.200 eventos desde o início do ano, 10 vezes mais que na Califórnia, segundo o National Journal.

"Foi um crescimento puramente acidental", observa o professor de ciências políticas Dennis Goldford, coautor do livro "The Iowa Precinct Caucuses".

"Iowa não é o primeiro porque é importante; Iowa é importante simplesmente porque é o primeiro", conclui.

Pequena participaçãoEm 1972, o Partido Democrata abriu o processo de primárias e programou a convenção nacional para indicar o candidato para julho.

Os organizadores do comitê democrata de Iowa, precisando de tempo para aplicar seu complicado sistema, passou a frente de New Hampshire, que abria o processo para a indicação do candidato por décadas. Os republicanos de Iowa seguiram o exemplo em 1976.

Poucos perceberam a mudança até que a vitória surpreendente de Carter em Iowa o ajudou em sua campanha para a presidência.

Orgulhosos da influência e exposição, os legisladores estaduais aprovaram uma lei que garante que Iowa vota oito dias antes de muitos outros estados, incluindo New Hampshire.

Entre os democratas, Hillary Clinton supera Bernie Sanders nas pesquisas em Iowas. Entre os republicanos, os mais populares são o conservador Ted Cruz e o bilionário Donald Trump.

Mas os resultados em Iowa são, historicamente, imprevisíveis. Em 2012, metade dos republicanos só definiu seu candidato nos últimos dias, segundo pesquisas no dia do caucus.

Alguns conseguem vencer em Iowa, mas depois não conseguem manter o sucesso em nível nacional, como aconteceu com os republicanos Santorum em 2012 e Mike Huckabee quatro anos antes.

Outros pré-candidatos conquistam vitórias simbólicas, como o na época azarão Barack Obama, que conseguiu um resultado espetacular contra Hillary Clinton em 2008 em Iowa, o que catapultou seu sucesso até a Casa Branca.

Analistas concordam que a votação prematura em Iowa ajuda a abrir o caminho e força os candidatos menos viáveis a abandonar a disputa.

Nenhum candidato conseguiu vencer a indicação de seu partido sem terminar entre os três primeiros em Iowa, com exceção do republicano John McCain em 2008, que ficou em quarto lugar, mas muito próximo da terceira posição.

No lado republicano, o filtro tem um forte componente conservador. Mais da metade dos que votaram em 2012 eram cristão evangélicos.

Apenas os eleitores mais comprometidos participam nos caucus, que exigem compromissos com horários e, às vezes, acontecem em meio a invernos rigorosos.

"Para levar as pessoas aos caucus em uma noite fria, você tem que torcer para que a babá apareça, que o carro funcione e que não aconteça uma nevasca", afirma Goldford.

A participação costuma ser menor que em outros estados - apenas 20% em 2012 e 40% durante o confronto Clinton-Obama de 2008.

O resultado de um dos eventos políticos mais importantes do ano, que tem consequências globais, é definido por 200.000 a 300.000 eleitores.

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