Israel suspende restrições a entradas e saídas de Ramallah

Jerusalém, 1 Fev 2016 (AFP) - O exército israelense suspendeu na noite desta segunda-feira as restrições aos deslocamentos de ou para Ramallah, na Cisjordânia ocupada, após um dia de limitações drásticas à circulação, após um ataque de um palestino contra soldados do Estado hebreu.

As forças armadas informaram, em um comunicado, que "em consequência de uma avaliação da situação, os postos de passagem para e de Ramallah recuperaram sua atividade normal".

Esta foi a primeira vez que o exército adotou uma medida deste tipo na cidade, capital econômica da parte da Cisjordânia sob controle israelense e sede do governo palestino, desde o início da atual onda de violência na região, em outubro.

Israel tinha bloqueado durante o dia esta circulação em Ramallah, depois de um ataque cometido por um jovem palestino que deixou três soldados feridos.

O posto de controle onde ocorreu o ataque, Beit-El, assim com os demais do norte da Cisjordânia, foram fechados na manhã desta segunda-feira, exceto um, constataram jornalistas da AFP.

Veículos formavam longas filas e só podiam entrar após revista.

Um grande número de palestinos, trabalhadores humanitários e diplomatas se deslocam diariamente para Ramallah para ir trabalhar.

"De acordo com a situação após o ataque de ontem (domingo), foram tomadas medidas de segurança na região e somente os moradores de Ramallah podem entrar na cidade", disse uma porta-voz militar.

A medida se aplica também aos estrangeiros, informou.

A suspensão da medida dependia das informações de que dispusesse o exército quanto à segurança, segundo esta porta-voz. Finalmente, horas depois, decidiu anulá-la.

Desde o início do atual ciclo de violência, em 1º de outubro passado, na Cisjordânia, Jerusalém e Israel, morreram 161 palestinos, 25 israelenses, um americano e um eritreu.

A maioria dos palestinos falecidos eram autores ou supostos autores de ataques com arma branca contra civis ou militares israelenses.

Diplomacia paralisadaEmbora os diplomatas estrangeiros não estivessem diretamente afetados pela medida de bloqueio o acesso ou a saída de Ramallah, "as restrições aos palestinos têm efeitos" na nossa atividade, informou um diplomata ocidental.

"Foram suspensas várias reuniões porque nossos interlocutores palestinos não puderam comparecer", explicou.

Os palestinos que faziam fila para deixar Ramallah asseguraram que se tratava de uma medida punitiva contra todos, após o ataque de domingo.

Uma mulher na casa dos trinta anos, que esperava um táxi e se identificou como Aline, contou que perderia uma audiência judicial em Nablus, no norte da Cisjordânia.

"A pergunta é: quanto tudo isto vai durar?", queixava-se a passageira.

"Vai ocorrer toda vez que alguém com uma arma atirar em um soldado israelense? Só o povo é prejudicado", prosseguia.

Nesta segunda-feira, soldados israelenses mataram um palestino de 17 anos, armado com uma faca perto da colônia de Salit, também na Cisjordânia ocupada.

Os "soldados viram um suspeito que tentava se infiltrar na localidade de Salit, a leste de Kfar Saba. Quando as forças de segurança se aproximaram do suspeito, este tentou apunhalar os soldados e diante da ameaça imediata, os soldados o mataram", destacou um comunicado militar israelense.

O palestino, Ahmed Toba, de 17 anos, era originário de uma localidade do norte da Cisjordânia, informou uma fonte de segurança palestina.

Muitos analistas atribuíram esta situação à crescente frustração entre os jovens palestinos diante da ocupação israelense, a falta de avanço nas negociações de paz, as perspectivas cada vez mais distantes de ter um Estado próprio e a falta de liderança da própria direção palestina.

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