Crimes de guerra continuam sendo cometidos na Síria

Nova York, 22 Fev 2016 (AFP) - Após condenar o notável crescimento dos crimes de guerra na Síria, um relatório de uma comissão da ONU, divulgado nesta segunda-feira, afirma que o futuro processo de paz deve levar os responsáveis por estes graves delitos à justiça.

"Quando a guerra está por iniciar seu sexto ano, as atrocidades são onipresentes e persistentes", relatou o documento. "As primeiras vítimas" continuam sendo os civis, que são, com frequência, alvo de ataques orquestrados por todos os beligerantes.

Em uma crítica implícita às grandes potências envolvidas na Síria, a comissão explica que "paradoxalmente, os atores internacionais e regionais que tentam ostensivamente uma solução pacífica deste conflito são os mesmos que continuam alimentando a escalada militar", em alusão às operações aéreas da aviação russa e da coalizão internacional dirigida pelos Estados Unidos.

"A multiplicação dos beligerantes e das linhas de frente dificulta a sobrevivência dos civis", constata o relatório, que lamenta pelos ataques contra os estabelecimentos de saúde e de educação e "impedem que três milhões de crianças frequentem regularmente a escola".

Em momentos em que as grandes potências se esforçam para chegar a um cessar-fogo e retomar as negociações de paz, a comissão presidida pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro estima que levar os responsáveis dos crimes de guerra ante a justiça deveria ser "um elemento essencial deste processo" de paz.

Em seu 11º relatório desde que foi criada em 2011, a comissão reitera seu pedido para que a Corte Penal Internacional (CPI), habilitada para julgar crimes de guerra e contra a humanidade, aborde o caso sírio.

Mas se trata de uma hipótese pouco provável, já que isso também depende do Conselho de Segurança, que continua dividido sobre a questão síria, uma vez que a Rússia segue protegendo o regime de Bashar al-Assad. Uma tentativa anterior, em maio de 2014, fracassou devido ao veto de Moscou e Pequim.

Este conflito deixou mais de 260 mil mortos desde seu início em 2011.

cml-avz/jb/mp

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