Apple se diz aberta para conversar sobre encriptação de dados

Washington, 29 Fev 2016 (AFP) - A Apple está aberta ao diálogo para resolver uma disputa com legisladores sobre o acesso aos dados encriptados em seu celular iPhone, de acordo com o relato de uma testemunha para a audiência no Congresso americano.

Em uma declaração preparada para a audiência de terça-feira, o assesor-geral da Apple, Bruce Sewell, disse que o público deve entender que "a codificação é uma coisa boa, algo necessário", embora dificulte o trabalho das autoridades competentes".

A Apple e o FBI foram convocados para essa audiência após um polêmica pedido da agência de inteligência na justiça, exigindo que a fabricante de celulares desbloqueio o acesso a dados encriptados no iPhone de Syed Farook, que cometeu, com sua mulhar, o ataque terrorista que deixou 14 mortos em San Bernardino (Califórnia) em dezembro do ano passado.

Argumentando defender a privacidade dos dados de seus clientes, a Apple negou a solicitação, provocando um intenso debate político sobre os dispositivos com dados encriptados que proporcionam chaves de acesso somente aos usuários.

"À medida que os ataques aos dados de nossos clientes se tornam mais sofisticados, as ferramentas que usamos para nos defender também devem ser mais fortes", afirmou Sewell.

"Enfraquecer a proteção de dados só prejudicará os clientes e outros usuários bem intencionados, que dependem de companhias como a Apple para proteger sua informação pessoal", acrescentou.

Esses sistemas de encriptação e outros métodos também ajudam no mundo todo a preservar a privacidade "e mantêm as pessoas a salvo".

Sewell afirmou que o acesso a um iPhone bloqueado é um tema que os legisladores e o público devem decidir, e lembrou as críticas da Apple à lei All Writs Act de 1789 (sobre o cumprimento das ordens judiciais) que da amplias faculdades às autoridades competentes.

"Os americanos merecem um diálogo honesto sobre esse importante tema em torno do pedido do FBI", acrescentou.

"Mais importante ainda, as decisões devem ser tomadas por você e seus colegas como representantes do povo, em vez de uma leu baseada em um estatuto de 220 anos atrás. Na Apple estamos prontos para ter essa conversa", acrescentou a declaração.

Sewell repetiu as declarações do CEO da Apple, Tim Cook, que afirma que o FBI pede que seja criado "um sistema operacional que não existe" e que colocaria "uma porta traseira no iPhone".

Em paralelo, dois legisladores americanos introduziram propostas para criar uma comissão bipartidária de especialistas para analisar o tema sobre o acesso a dados encriptados.

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