Refugiados costuram boca em Calais, na França, como sinal de protesto

Em Calais (França)

  • Michel Spingler/AP

Oito refugiados iranianos costuraram a boca com agulha e linha, nesta quarta-feira (2), para protestar pelo desmonte parcial do acampamento de refugiados erguido em Calais (norte da França), iniciado na segunda-feira (29) pelas autoridades francesas.

Estes imigrantes marcharam brevemente por um dos caminhos internos do local conhecido como "a selva" com as bocas parcialmente costuradas, constataram uma cinegrafista e um fotógrafo da AFP.

"We are humans" (Somos humanos) ou "Where is your democracy? Where is our freedom?" (Onde está a sua democracia? Onde está a nossa liberdade?) podia-se ler em alguns dos cartazes exibidos.

"Pediram-nos que costurássemos suas bocas, obviamente repudiamos", informou à AFP Olivier Marteau, encarregado da ONG Médicos sem Fronteiras para Calais.

"Eles próprios o fizeram de forma pouco higiênica, esterilizando as agulhas, esquentando-as", a altas temperaturas, acrescentou.

Desde o início desta semana, as autoridades francesas começaram a destruir os barracos dos migrantes, erguidos na parte sul do acampamento, onde moram milhares de pessoas que anseiam poder entrar na Inglaterra.

O Estado tenta realojá-los em centros de acolhida em Calais e outras partes da França.

Segundo o encarregado local da MSF, o gesto destes migrantes "demonstra que as soluções propostas não os satisfazem".

"Estes oito iranianos costuraram a boca porque seu barraco acabara de ser destruído", acrescentou François Guennoc, membro da associação "L'Auberge des migrants" (o albergue dos migrantes).

Nesta segunda-feira, foram registrados confrontos entre os refugiados, militantes e a tropa de choque.

Entre 800 e mil migrantes vivem na parte sul da 'selva', segundo o governo francês, mas as associações consideram que na realidade são 3.500. Em todo o acampamento, que se tornou a maior favela da França, estima-se entre 3.700 e 7.000 o número de imigrantes, principalmente sírios, afegãos e sudaneses.

 

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