Crise migratória: miséria humana chegou ao limite na Europa, diz Acnur

Em Idomeni (Grécia)

  • Stoyan Nenov/Reuters

    Roupas de refugiados estendidas do lado de fora de tenda montada em meio à lama

    Roupas de refugiados estendidas do lado de fora de tenda montada em meio à lama

A Acnur (Alto Comissariado da ONU para os Refugiados) lamentou, neste domingo (12), as condições desumanas do campo improvisado de Idomeni, onde mais de 14 mil refugiados esperam a reabertura da fronteira entre Grécia e Macedônia, fechada há uma semana.

"A miséria humana chegou a ponto máximo na Europa. As condições em Idomeni são desumanas", disse à AFP o porta-voz do Acnur Babar Baloch.

"Dificilmente se pode imaginar até que ponto se deteriora a situação todos os dias com a chuva. As pessoas sofrem", acrescentou.

Cerca de 12 mil imigrantes e refugiados se amontoam no acampamento de Idomeni, segundo dados oficiais publicados pelas autoridades gregas. Outros 2.000 também estariam acampados nos arredores, segundo ONGs.

As condições de higiene são particularmente ruins, os banheiros estão inundados, e dezenas de crianças tiveram de ser hospitalizadas nos últimos dias pelo frio, por problemas respiratórios e por outras questões de saúde.

Uma garota síria de nove anos foi internada em Tessalônica com hepatite A, anunciou o Centro de Prevenção de Doenças (Keelpno), acrescentando que seu prognóstico é "estável".

Dadas as péssimas condições, centenas de refugiados começaram a voltar para Atenas, onde são dirigidos para abrigos ou para hotéis. Novos grupos de refugiados chegam todos os dias a Idomeni com a esperança de que a fronteira seja reaberta.

Neste domingo, um grupo de 200 refugiados --formado por famílias sírias e iraquianas com seus filhos-- voltou a se manifestar na entrada de Idomeni, pedindo a abertura da fronteira.

O Ministério de Política Migratória distribui, diariamente, entre os imigrantes folhetos em árabe, pashtun e farsi, solicitando-lhes que "cooperem com as autoridades gregas para serem transferidos para centros de acolhida" longe da fronteira.

"Esperamos que as autoridades gregas ajam rapidamente neste sentido porque ficar aqui, mesmo que seja um minuto a mais, não é uma opção", completou Babar Baloch.

Muitos se negam, porém, a deixar Idomeni, esperando que, na cúpula europeia de 17 de março, sejam tomadas decisões a seu favor, e as fronteiras, reabertas.

Desde 2011, 4 milhões de sírios já fugiram para países vizinhos

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