Chanceleres alemão e francês visitam Líbia em apoio a governo de união

Trípoli, 16 Abr 2016 (AFP) - Os ministros das Relações Exteriores francês e alemão realizaram neste sábado uma visita surpresa à Líbia para apoiar o governo de unidade nacional, na esperança de que possa contribuir para acabar com o caos neste país onde a ameaça jihadista é crescente.

Os chefes da diplomacia alemã Frank-Walter Steinmeier e francesa Jean-Marc Ayrault devem se reunir em Tripoli com o primeiro-ministro designado do governo de unidade nacional, Fayez al-Sarraj, na base naval onde passou a residir desde que chegou a capital líbia, em 30 de março.

Esta visita ocorre após a do ministro das Relações Exteriores da Itália, Paolo Gentiloni, que foi a primeira autoridade europeia a visitar Tripoli desde o aumento da violência em 2014.

A visita de Steinmeier e Ayrault também acontece dois dias antes de uma sessão crucial no Parlamento líbio, com sede no leste do país, que deve decidir se vai conceder ou não a sua confiança a este novo executivo de união.

"A nossa visita conjunta com nossos amigos franceses em Trípoli é um sinal: toda a comunidade internacional concorda com o fato de que o caminho para a paz e a estabilidade passa pela implementação do acordo de paz e pelo governo de unidade nacional", declarou Steinmeier.

De acordo com um diplomata francês, Ayrault "acredita que os europeus devem agir em conjunto" na Líbia para restaurar a paz e a segurança.

País rico em petróleo e localizado a 300 quilômetros da costa europeia, a Líbia mergulhou no caos após a queda do ditador Muammar Khaddafi, em 2011, devido a disputas entre milícias armadas.

Em 2014, o país se viu com dois "governos" rivais após a tomada de Tripoli por uma coalizão de milícias, incluindo algumas islamitas, que nunca foi reconhecida pela comunidade internacional.

Aproveitando-se das divisões e fraquezas das autoridades, o grupo Estado Islâmico (EI) se implantou na cidade de Syrte, na costa mediterrânea.

Preocupados com esta ameaça jihadista, a ONU, os europeus, os americanos e os países do Norte de África vizinhos da Líbia colocaram todas as suas esperanças em um governo de unidade que poderia tomar as rédeas de todo o país.

Sob um acordo assinado no Marrocos em dezembro de 2015, este governo tomou posse no dia 12 de março e, em seguida, instalou-se de surpresa em uma base naval de Trípoli em 30 de março.

Desde então, tem reunido um apoio significativo, incluindo do Banco Central e da companhia nacional de petróleo, mas ainda enfrenta a oposição de algumas figuras políticas.

Para Mattia Toaldo, especialista em Líbia no grupo de reflexão do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR), "a visita dos dois ministros ocorre num momento muito útil por duas razões". "A primeira pelo voto (de confiança) esperado no Parlamento na segunda-feira, e a segunda pelo jantar dos ministros europeus da Defesa e das Relações Exteriores, que devem discutir uma possível missão de assistência à polícia e aos guardas de fronteira da Líbia".

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