EUA e Rússia tentam deter os combates na cidade síria de Aleppo

Alepo, Síria, 1 Mai 2016 (AFP) - A Rússia anunciou neste domingo que está realizando negociações para deter os combates na província de síria de Aleppo depois que os Estados Unidos insistiu que seja dado fim aos bombardeios do regime sírio na cidade de mesmo nome.

"Estão sendo realizadas negociações para estabelecer um 'regime de silêncio' na província de Aleppo", afirmou o general Serguei Kuralenko, chefe do centro russo para ar reconciliação das partes em conflito na Síria, criado pelo exército russo para supervisionar a trégua.

O general, citado pelas agências russas, disse que a trégua temporária promovida por Moscou e Washington, e que entrou em vigor na sexta-feira em Guta Oriental, periferia de Damasco, será reconduzida este domingo.

Também explicou que a trégua parece estar sendo respeitada no norte da província de Lataquia.

Na véspera, a Rússia chegou a afirmar que não pediria a Damasco que deixasse de bombardear Aleppo por isso faria parte da luta contra a ameaça terrorista.

Pelo lado americano, o secretário de Estado John Kerry se dirigia a Genebra para tentar salvar a trégua na Síria.

Depois dos bombardeios registrados durante a noite, tanto por parte do regime, como dos rebeldes, os habitantes de Aleppo seguiam trancados em suas casas e desfiaram do pequeno intervalo entre os ataques no início da manhã.

Dezenas de habitantes das zonas controladas pelos rebeldes fugiram no sábado depois dos intensos ataques aéreos do regime contra a cidade, a segunda mais importante do país e agora principal campo de batalha da guera civil.

O Exército sírio lançou mais de 30 bombardeios em Aleppo desde 22 de abril, segundo a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Desde esta data, 246 pessoas morreram por causa dos confrontos.

Vários comboios humanitários conseguiram entrar em quatro localidades sitiadas pelo regime e pelos rebeldes, mas a situação continua crítica.

Aleppo viveu na quinta-feira seu dia mais violento desde a retomada dos bombardeios, com mais de 50 mortos, incluindo crianças e médicos. A ONG Human Rights Watch afirmou que o ataque "pode constituir crime de guerra".

A ONU lamentou, por sua vez, um "monstruoso menosprezo pelas vidas de civis por parte de todas as partes do conflito".

Diante da tragédia vivida pela cidade, a hashtag #AleppoIsburning" (#Alepoestaqueimando) se espalhou pelas redes sociais, convocando manifestações de solidariedade em vários países de 30 de abril a 7 de maio.

Antes de viajar para Suíça, John Kerry afirmou que o retorno a um cessar-fogo nacional na Síria é uma prioridade máxima.

Neste domingo e na segunda-feira, Kerry terá reuniões com o enviado especial da ONU para a Síria, Steffan De Mistura, e com seus colegas saudita, Adel al-Jubeir, e jordaniano, Nasser Judeh.

Uma nova rodada de discussões sobre a paz na Síria promovida pela ONU deve começar em 10 de maio em Genebra.

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