Farc recrutaram 11.556 menores entre 1975 e 2014, diz a Justiça colombiana

Em Bogotá

A procuradoria da Colômbia assegurou nesta segunda-feira que 11.556 menores foram recrutados entre 1975 e 2014 pela guerrilha das Farc que, na reta final dos diálogos de paz com o governo da Colômbia, se comprometeu a entregar os que continuam em suas fileiras.

"Dentro das políticas de recrutamento de menores, as Farc estabeleceram a idade de 15 anos como a mínima para entrar nas fileiras guerrilheiras", disse a jornalistas o procurador-geral da nação, Jorge Fernando Perdomo.

Em quase quatro décadas registrou-se "um total de 11.556 menores recrutados", acrescentou o procurador, sem especificar quantos continuam sendo combatentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, comunistas), que concluem com o governo de Juan Manuel Santos um processo de paz para acabar com mais de meio século de conflito armado.

No âmbito destas negociações, as partes acordaram no domingo que todos os menores começarão a sair em breve da guerrilha.

O recrutamento destes menores foi feito "persuadindo, enganando e, em muitos casos, claramente de forma forçada", afirmou o procurador. Deles, 33% são mulheres e 67%, homens, segundo os mesmos dados.

Tratou-se de "uma política sistemática e generalizada de recrutamento dirigida de 1975 até 2014", destacou.

Perdomo apontou Iván Márquez, chefe negociador da guerrilha, como um dos principais recrutadores de menores deste grupo insurgente e acrescentou que a informação compilada pela procuradoria "está pronta para ser entregue à jurisdição especial de paz", que, segundo previsões, começará a funcionar após a assinatura do acordo final para julgar os crimes mais graves cometidos pelos agentes do conflito.

O procurador acrescentou que o recrutamento de menores "constitui um crime internacional, que é um crime de guerra".

O governo colombiano tampouco deu um número exato de menores que continuam pertencendo à principal guerrilha do país, mas segundo dados oficiais, seis mil crianças foram separadas das organizações armadas ilegais nos últimos 17 anos, 60% deles provenientes das Farc.

A desvinculação destes combatentes começará com a saída de um grupo de "21 menores de 15 anos", afirmaram as Farc, enquanto se acorda um "mapa do caminho" para os jovens que ainda não completaram 18 anos.

A procuradoria também acusou a guerrilha, com 7.000 combatentes, segundo dados oficiais, de ter criado em zonas rurais "clubes infantis bolivarianos (...) para se aproximar de menores de cinco a doze anos" em busca "do que poderíamos considerar simpatizantes".

O conflito armado, que começou nos anos 1960 como uma revolta camponesa, envolveu grupos irregulares de esquerda e de direita e agentes do Estado, deixando 260.000 mortos e 6,8 milhões de deslocados.

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