Economia britânica mergulha no desconhecido após o Bretix

Londres, 24 Jun 2016 (AFP) - A saída do Reino Unido da UE significa uma imersão no desconhecido para sua economia, que poderá transformar a incerteza em aumento do desemprego e deterioração da imagem "Made in Britain".

Os partidários da permanência da União Europeia escolheram a economia como seu argumento principal de campanha, mas isso não foi suficiente: o Reino Unido agora terá que enfrentar as consequências da decisão de romper com Bruxelas.

Por enquanto, é só uma tempestade financeira que cobre a City de Londres, mas a saída da quinta economia do mundo do bloco europeu terá um impacto global.

A horas da abertura das bolsas europeias, a de Tóquio caiu mais de 8% e a libra sofreu uma desvalorização de mais de 10%, aproximando-se da queda de 15% prevista por George Soros. A queda que poderá igualar a libra ao euro, tão criticado pelos partidários do Brexit.

Espera-se que o impacto econômico seja grande e duradouro. Os especialistas estão divididos sobre os riscos, mas concordam que haverá consequências negativas.

O governo britânico advertiu que podem ser necessários cerca de dez anos para se desvincular da atual relação com a UE e completar todos os acordos comerciais alternativos.

Londres espera "um longo período de incerteza" com "consequências para as empresas britânicas, para o comércio e para a atração de investimentos".

As barreiras comerciais voltarão a ser erguidas durante este período, com custos de 5,6 bilhões de libras anuais (7,2 bilhões de euros) em tarifas, segundo a Organização Mundial de Comércio.

Além disso, "muitas empresas estão utilizando o Reino Unido como porta de entrada para a Europa e algumas advertiram que transfeririam sua sede europeia em caso de Brexit", lembrou Scott Corfe, diretor do Centro de pesquisa econômica e empresarial, que espera uma queda do investimento da China e dos Estados Unidos.

Muitos votaram a favor do Brexit atraídos pelas promessas de reduzir a imigração. Se a promessa for cumprida, se reduzirá a mão de obra do leste europeu e do sul, que ajudou a movimentar a economia nos últimos anos.

- "Made in Britain"-Ao final, o crescimento dinâmico dos dois últimos anos pode desacelerar, e o FMI prevê uma recessão econômica no Reino Unido para o ano que vem, provocando um aumento do desemprego dos 5% atuais para 6,5% em dois anos.

Isso reduziria as receitas fiscais. O Instituto de Estudos Orçamentários (IFS) prevê que os cofres públicos deixarão de receber entre 20 bilhões e 40 bilhões de libras até 2020, já descontados os recursos Londres enviava a Bruxelas.

Consequência: o Reino Unido poderá perder sua classificação AAA, dada pela agência S&P à dívida do Reino Unido há meio século.

A City de Londres poderá perder seu atrativo: os bancos temem perder o direito a vender sem impedimentos seus serviços financeiros aos Estados Unidos e aos países da UE.

O banco britânico HSBC, e os americanos JP Morgan, Morgan Stanley e Goldman Sachs prevem transferir para outros países milhares de empregos. O distrito financeiro poderá perder até 100.000 postos de trabalho, segundo a TheCityUK.

Setores industriais como o aeroespacial e o automobilístico sofrerão com as novas barreiras tarifárias, enquanto que a indústria da construção já não poderá recorrer à imigração.

Para além disso tudo, a marca "Made in Britain" poderá ver-se prejudicada.

"Além do Brexit, a gente já se imagina em um novo referendo de independência na Escócia. O Reino Unido não parece tão seguro como antes", opinou Scott Corfe.

pn/jmi/al/avl/cc

HSBC

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MADE

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MORGAN STANLEY

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