Primeiras famílias sírias deixam bairros sitiados de Aleppo

Damasco, 30 Jul 2016 (AFP) - Dezenas de famílias saíram neste sábado dos bairros rebeldes da cidade síria de Aleppo através de um dos corredores humanitários, anunciaram os meios de comunicação do regime, cujas tropas cercam este setor do leste da cidade há uma semana.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) confirmou que neste sábado "vários civis" saíram do setor leste da metrópole síria, sitiado, utilizando uma passagem do bairro de Salahedin, sem divulgar números.

"Nesta manhã, dezenas de famílias deixaram (a zona rebelde) através dos corredores (implantados) para permitir a saída dos cidadãos assediados por grupos terroristas nos bairros do leste", informou a agência oficial Sana, que utiliza a terminologia do regime, que classifica os rebeldes como "terroristas".

"Foram recebidos por membros do exército e levados de ônibus a refúgios temporários", acrescentou, explicando que "várias mulheres com mais de 40 anos também saíram dos bairros do leste da cidade pela passagem de Salahedin".

A agência publicou fotografias de mulheres vestidas de preto acompanhadas por crianças, em fila junto aos soldados, ou embarcando em ônibus. A rede de televisão Al Ijbariya divulgou imagens de algumas mulheres e crianças atravessando uma rua em meio a edifícios em ruínas.

A Sana também afirmou que alguns combatentes entregaram suas armas, sem informar quantos foram.

Aleppo, segunda cidade do país e ex-capital econômica, está dividida desde 2012. As forças pró-regime controlam os bairros do oeste e tentam reconquistar os bairros orientais, nas mãos dos rebeldes, bombardeando a zona há meses.

Situação desesperadoraDepois de ter sitiado desde 17 de julho os cerca de 250.000 habitantes dos bairros rebeldes, que sofrem com uma grande escassez, o regime autorizou a abertura de corredores para que os civis e os combatentes que queiram depor as armas saiam da parte leste da cidade.

A Rússia, aliada do regime de Damasco, foi quem anunciou a criação das passagens. A iniciativa foi apresentada como humanitária, mas os rebeldes, opositores e vários países, como os Estados Unidos, expressaram seu ceticismo.

Além disso, muitos habitantes seguiam sem utilizar estes corredores.

"Quero sair, mas não para as zonas governamentais. Tenho muito medo de que recrutem meu filho de 17 anos para que faça o serviço militar ou que o enviem ao front", afirmou Abu Mohamad, de 50 anos, no bairro de Al Shar.

"A situação humanitária é cada vez mais desesperadora e muito dificilmente conseguimos encontrar comida", acrescentou.

Desde 7 de julho não entra nenhuma ajuda humanitária nos bairros rebeldes de Aleppo, onde existe uma enorme escassez de produtos de primeira necessidade.

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