Regime sírio tenta tomar últimos bairros rebeldes de Aleppo

Em Aleppo (Síria)

  • George Ourfalian/ AFP

    Moradores retornam para casa em áreas retomadas pelo governo sírio em Aleppo

    Moradores retornam para casa em áreas retomadas pelo governo sírio em Aleppo

As forças do regime sírio, apoiadas por combatentes estrangeiros, continuavam avançando nesta quinta-feira (8) rumo aos últimos bairros rebeldes de Aleppo, cuja conquista total representaria "uma guinada importante na guerra", segundo o presidente Bashar al-Assad.

Fortalecido por seus últimos êxitos militares e pelo apoio crucial de russos e iranianos, o regime sírio rejeitou os apelos a um cessar-fogo e quer tomar o controle total da segunda cidade do país, uma conquista que representaria sua maior vitória desde o início do conflito, em 2011.

Russos e americanos, que apoiam respectivamente Assad e a oposição, não conseguiram entrar em acordo sobre Aleppo, enquanto os civis, sitiados há quatro meses, são submetidos a uma chuva de fogo ininterrupta e a uma carência total de alimentos, remédios e produtos básicos.

Os chefes da diplomacia americana, John Kerry, e russa, Serguei Lavrov, não alcançaram nenhum avanço após dois breves encontros informais na Alemanha.

"Não ocorreram progressos nem conclusões em Aleppo", disse um responsável americano um dia após seis países ocidentais, entre eles os Estados Unidos, solicitarem um "cessar-fogo imediato".

Em meio ao avanço das tropas do regime, envolvidas desde 15 de novembro em uma ofensiva destruidora, os rebeldes foram encurralados nos últimos setores sul da parte oriental de Aleppo, com dezenas de civis presos em meio aos combates.

Violentas explosões

O correspondente da agência de notícias AFP viu, no bairro rebelde de Kalasé, pessoas fugindo, aterrorizadas, após a queda de um barril de explosivos em plena rua.

A televisão pública retransmitia imagens ao vivo da periferia do bairro rebelde de Bustan al Qasr, onde eram ouvidas violentas explosões.

Os bombardeios contra os bairros rebeldes eram tão fortes que os vidros de um hotel na parte ocidental, pró-regime, vibravam.

Depois de retomar os bairros da cidade velha, o exército, apoiado em terra por combatentes iranianos e do Hezbollah libanês segue avançando e controla mais de 80% dos bairros rebeldes do leste de Aleppo, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Os rebeldes respondiam com dezenas de foguetes contra os bairros governamentais do oeste desta cidade setentrional, outrora capital econômica do país.

"É certo que Aleppo será uma vitória para nós (...) Será um grande passo em direção ao fim" do conflito e representará "uma guinada importante na guerra", afirmou Assad em uma entrevista ao jornal sírio Al Watan.

Aleppo é o principal front neste conflito, que deixou desde 2011 mais de 300.000 mortos e obrigou mais da metade da população a abandonar seus lares.

Cercados, os grupos rebeldes, que ocupam os bairros orientais desde 2012, convocaram um cessar-fogo imediato de cinco dias e a evacuação de civis.

Nos setores nas mãos da oposição ao regime em Aleppo "dezenas de milhares de crianças se converteram em alvos fáceis" e "o número de vítimas sobe de forma exponencial", disse Sonia Khush, diretora da Save the Children. "As pessoas caminham pelas ruas com apenas algumas roupas para se proteger do frio", acrescentou.

Ajuda crucial da Rússia

Na noite de quarta-feira, cerca de 150 civis, a maioria doentes, feridos ou deficientes, foram evacuados de um centro médico nesta região, anunciou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). Onze pessoas morreram no local.

A intensidade dos combates acelerou o êxodo da população: 80.000 pessoas fugiram do leste de Aleppo desde 15 de novembro, de acordo com o OSDH.

Em sentido contrário, muitos habitantes, carregados com malas e sacolas, voltavam para as suas casas entre as ruínas da Cidade Velha de Aleppo, segundo um fotógrafo da AFP.

Desde o início da ofensiva, em 15 de novembro, 384 civis, entre eles 45 crianças, morreram nos bairros do leste de Aleppo, e outros 105 no setor governamental, segundo o Observatório.

A Rússia intervém militarmente na Síria apoiando o regime desde setembro de 2015 e, graças a Moscou, Assad conseguiu inverter a situação diante dos rebeldes.

Impotente, a oposição síria no exílio acusou em um comunicado a comunidade internacional de faltar com sua responsabilidade diante de um banho de sangue em Aleppo.

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