Israel evacua colônia emblemática, mas anuncia novas casas na Cisjordânia

Amona, Territórios palestinos, 1 Fev 2017 (AFP) - Israel começou nesta quarta-feira a evacuação de uma emblemática colônia na Cisjordânia, mas anunciou em compensação a construção de novas casas neste território palestino ocupado, na quarta medida deste tipo após a chegada de Donald Trump à Casa Branca.

Desde a posse do novo presidente americano, no dia 20 de janeiro, Israel anunciou a construção de mais de 6.000 casas na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, ocupada e anexada.

Os 3.000 novos assentamentos anunciados na madrugada desta quarta-feira parecem ser uma concessão adicional aos partidários da colonização, coincidindo com o início da evacuação de Amona, uma colônia alvo de um forte debate em Israel.

Centenas de policiais enfrentavam, primeiro com moderação e depois fisicamente, os 200 a 300 residentes deste assentamento e outras centenas de jovens que foram resistir, em sinal de solidariedade.

Os jovens incendiaram tudo o que encontraram pela frente, ergueram barricadas e bloquearam com seus corpos durante horas a passagem dos agentes.

A colônia de Amona fica perto de Ramallah. A batalha política e legal se arrasta desde a sua criação, em 1995, até que o Tribunal Supremo israelense julgou o assentamento ilegal do ponto de vista do direito israelense, ao ter sido construída em terras privadas palestinas.

'Triste e enfurecida'Os jovens desafiaram as forças de ordem repetindo palavras de ordem como "hoje é comigo, amanhã será com você".

Rivka Lafair, de 19 anos, nascida em Amona, está "triste e enfurecida". "Os destruidores do povo judeu estão no interior", diz em alusão ao governo. Ela e seu marido querem permanecer até o fim, mas por enquanto não sabem para onde irão.

Um deputado de extrema direita, Moti Yogev, cujo partido, Lar Judeu, faz parte da coalizão governamental, declarou no protesto que a destruição de Amona era "uma má decisão", mas que as novas casas anunciadas pelo ministério da Defesa eram uma compensação.

A construção destas três mil novas residências é "uma tendência preocupante e representa um desafio direto à perspectiva de uma solução de dois Estados viável", alertou a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, em um comunicado.

'Construímos'Embora as autoridades não tenham tido outra saída que não fosse evacuar Amona, estão aproveitando a nova situação favorável com a chegada de Trump à Casa Branca para multiplicar suas medidas de colonização.

"Construímos e seguiremos construindo", prometeu o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Segundo ele, a presidência de Trump constitui uma "oportunidade formidável" após as "enormes pressões" do governo de Obama.

"Entramos em um período de retorno à normalidade (na Cisjordânia) e fornecemos a resposta pertinente às necessidades cotidianas da população", declarou em um comunicado o ministério da Defesa, que exerce autoridade sobre o território.

A comunidade internacional e os palestinos não deixam de estar preocupados por esta rajada de anúncios. No entanto, enquanto o governo de Obama havia criticado e tentado frear ao máximo possível a colonização, o de Trump, até o momento, permaneceu em silêncio.

Nabil Abu Rudeina, porta-voz da presidência palestina, denunciou uma "campanha feroz de colonização israelense que viola o direito internacional". A direção palestina lançou uma série de consultas urgentemente, disse. Também convocou a administração americana a frear esta política que busca "destruir o processo de paz".

As colônias, implantações civis israelenses nos territórios palestinos ocupados, são ilegais em relação ao direito internacional. Uma grande parte da comunidade internacional as considera um grande obstáculo para a paz entre israelenses e palestinos, meta distante há décadas.

O governo israelense nega que sejam a causa do retrocesso dos esforços de paz.

Quase 400.000 colonos israelenses vivem em meio a quase 2,6 milhões de palestinos na Cisjordânia.

A expansão das colônias, política sustentada por todos os governos israelenses desde 1967, avança progressivamente no território da Cisjordânia e ameaça tornar impossível a criação de um Estado palestino independente que coexistiria com Israel, a solução internacional defendida por muitos para acabar com o conflito.

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