Polícia malaia quer interrogar diplomata norte-coreano após assassinato

Kuala Lumpur, 22 Fev 2017 (AFP) - A polícia da Malásia quer interrogar um diplomata norte-coreano considerado suspeito de ter participado no assassinato do meio-irmão do líder da Coreia do Norte na semana passada em Kuala Lumpur.

Cinco norte-coreanos são suspeitos de estar envolvidos na morte de Kim Jong-nam, que teria sido envenenado, e a polícia deseja interrogar outros três.

Entre eles figuram o segundo secretário da embaixada da Coreia do Norte em Kuala Lumpur, Hyon Kwang Song, e um funcionário de uma companhia aérea norte-coreana, Kim Uk Il, declarou à imprensa o chefe da polícia nacional, Khalid Abu Bakar.

"Escrevemos ao embaixador para obter a autorização de interrogar ambos. Esperamos que a embaixada norte-coreana coopere (...) Se isso não ocorrer, os obrigaremos a se dirigir as nossas dependências", advertiu Khalid.

Kim Jong-nam, de 45 anos, foi atacado na segunda-feira no aeroporto de Kuala Lumpur por suas mulheres que supostamente lançaram um líquido em seu rosto quando se preparava para embarcar para Macau. Faleceu pouco depois enquanto era levado ao hospital.

Os cinco suspeitos norte-coreanos - quatro fugiram da Malásia a Pyongyang no mesmo dia - estão "muito envolvidos" no assassinato, disse Khalid. O quinto está detido de forma provisória na Malásia.

Desde o início deste caso, digno de uma história de espionagem, houve uma escalada de tensões nas relações bilaterais entre Malásia e Coreia do Norte. Por sua vez, a Coreia do Sul acusou seu vizinho do Norte e denunciou a existência de uma "ordem permanente" do ditador Kim Jong-un para eliminar seu meio-irmão, muito crítico ao fechado regime comunista de Pyongyang.

- Treinadas para matar -Na segunda-feira passada, Kim Jong-nam estava em um dos terminais do aeroporto principal de Kuala Lumpur, preparando-se para viajar a Macau.

Duas mulheres se aproximaram, uma das quais o agarrou pelas costas e aparentemente lançou um líquido venenoso, segundo a polícia e imagens de câmeras de vigilância.

Em seguida, Jong-nam se dirigiu aos funcionários do aeroporto, fazendo gestos em direção ao seu rosto em um aparente esforço para explicar o ocorrido. Sofreu um ataque e foi levado a um hospital, mas morreu no caminho.

A polícia descarta informações segundo as quais as mulheres teriam sido enganadas e acreditaram que participavam de um jogo televisionado de "pegadinha".

"Sim, é claro que sabiam que realizavam um ataque com veneno", disse Khalid Abu Bakar.

"A mulher que se afasta em direção ao banheiro com as mãos para frente estava perfeitamente consciente de que era tóxico e que deveria lavar as mãos", acrescentou.

As duas suspeitas detidas, a vietnamita Doan Thi Huong, de 28 anos, e a indonésia Siti Aishah, de 25, haviam sido treinadas para o ataque e repetiram o exercício no aeroporto antes de agir, segundo a polícia.

Khalid disse que a embaixada da Coreia do Norte tinha o dever de ajudá-los.

Mas o embaixador norte-coreano, Kang Chol, pediu que a Malásia liberte as duas mulheres, assim como o suspeito norte-coreano.

"Devem libertar mediatamente as duas mulheres do Vietnã e da Indonésia, assim como o cidadão da RPDC" (República Popular Democrática da Coreia), indicou o embaixador em um comunicado, sem falar do diplomata que a polícia deseja interrogar.

Kang Chol já recusou a investigação policial afirmando que tinha motivos políticos e que a Malásia conspirou com a Coreia do Sul desde o início para prejudicar a Coreia do Norte.

Kim Jong-nam, considerado por um tempo o sucessor do regime, caiu em desgraça quando em 2001 protagonizou um incidente embaraçoso para o regime comunista.

Foi detido no aeroporto de Tóquio com um passaporte falso da República Dominicana. Na época, afirmou que queria visitar o parque de diversões Disneyland.

Desde então, viveu exilado com sua família em Macau, Cingapura ou China. Viajou em múltiplas ocasiões a Bangcoc, Moscou e Europa.

Quando seu meio-irmão chegou ao poder, em 2011, expressou dúvidas sobre sua capacidade para governar. Os anúncios de expurgos, execuções e desaparecimentos - alguns confirmados, outros não - se multiplicaram desde a chegada ao poder de Kim Jong-un.

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