OEA discute crise na Venezuela

Washington, 28 Mar 2017 (AFP) - Os 34 países da Organização dos Estados Americanos (OEA) discutem nesta terça-feira a crise na Venezuela, o que Caracas considera uma ingerência por parte de uma facção minoritária e do secretário-geral, Luis Almagro.

Um grupo de 14 países aumentou a pressão sobre a Venezuela na semana passada, emitindo um comunicado conjunto exigindo a libertação dos "presos políticos" e a definição de um cronograma para eleições, algo que o governo venezuelano considerou um "assédio" contra o presidente Nicolas Maduro.

Almagro, que equipara o governo venezuelano a uma "ditadura", recomendou há duas semanas a suspensão do país, evocando a Carta Democrática Interamericana em caso de não convocação de eleições gerais "livres".

Mas os governos que assinaram a declaração, entre eles México, Argentina, Brasil, Estados Unidos e Canadá, se afastam de qualquer sugestão que envolva a suspensão de um país membro.

"A OEA tem um papel a desempenhar e os Estados membros estão tomando as medidas necessárias para ser coadjuvantes de um processo", declarou o representante mexicano, Luis Alfonso de Alba.

O vice-secretário dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental, Michael Fitzpatrick, ressaltou que os países do órgão vão discutir na reunião desta terça-feira "todas as ferramentas disponíveis" para tentar ajudar a Venezuela a "superar a crise econômica e humanitária", chamando o governo venezuelano a participar de uma "discussão produtiva".

"Nossa meta para a sessão especial não é a suspensão imediata", disse Fitzpatrick em um comunicado.

A Venezuela pediu a anulação da sessão extraordinária no Conselho Permanente, mas o apoio de 18 países dos 34 membros ativos da OEA (Cuba foi readmitida, mas não assiste às reuniões) garantirá a sua realização.

Os países do continente aumentaram sua preocupação sobre a crescente crise econômica na Venezuela e o fantasma de um risco à democracia no país de 30 milhões de habitantes, assim como Almagro, eleito para a liderança do organismo em 2015 e que está cada vez mais impaciente com a situação.

A OEA "tem a tarefa da promoção e defesa da democracia", disse a jornalistas o representante colombiano na entidade, Andrés González.

Em seu relatório de 75 páginas, Almagro ressaltou que as gestões diplomáticas "não deram como resultado nenhum progresso" na Venezuela e todas as tentativas de diálogo entre o governo e a oposição "fracassaram".

A Venezuela está mergulhada em uma crise de escassez de medicamentos e alimentos, e seus habitantes sofrem com a mais alta inflação do mundo, que, de acordo com o FMI, encerrou 2016 em 475% e poderá atingir 1.660% este ano.

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