França prende dois homens e frustra atentado cinco dias antes das eleições

Em Paris (França)

Dois homens "radicalizados", suspeitos de preparar um ataque "iminente" na França, foram detidos nesta terça-feira em Marselha (sudeste), a cinco dias do primeiro turno da eleição presidencial.

Armas "longas" e material para a fabricação de explosivos foram encontrados durante as buscas realizadas após a detenção dos suspeitos, de 29 e 23 anos, "de nacionalidade francesa", informou o ministro do Interior francês, Matthias Fekl.

Os dois indivíduos, identificados como Clement Baur e Mahiedine Merabet, planejavam um atentado "nos próximos dias em solo francês", garantiu o ministro do Interior a repórteres.

AFP
18.abr.2017 - Fotos dos suspeitos Clement Baur e Mahiedine Merabet que foram presos em Marselha, no sul da França


Nas buscas em Marselha foram encontrados "elementos que permitiriam materializar este ataque", afirmou, acrescentando que estavam sendo realizadas no local "operações de segurança e de desminagem".

Os dois homens, vigiados pela polícia por radicalização, já haviam sido presos por outros delitos sem relação com o terrorismo, de acordo com uma fonte próxima à investigação.

"Tudo está pronto para garantir a segurança do primeiro turno da eleição presidencial", que acontece dia 23 de abril, afirmou o ministro, ressaltando, contudo, que "o risco terrorista é maior do que nunca".

boris HORVAT/ AFP
18.abr.2017 - Polícia francesa monitora área após prisão de suspeitos


As equipes do candidato conservador François Fillon, da líder da extrema-direita Marine Le Pen e do centrista Emmanuel Macron foram alertadas na semana passada sobre o projeto de ataque, de acordo com informações recolhidas pela AFP junto aos candidatos.

"Meu serviço de segurança recebeu as fotos dos suspeitos na quinta", segundo a ultradireitista Marine Le Pen, enquanto que um assistente do centrista Emmanuel Macron também confirmou tê-las recebido.

O ministério do Interior "reforçou a segurança em Montpellier" onde François Fillon realizou um comício na sexta-feira e havia temores quanto ao comício em Nice realizado na segunda-feira, de acordo com fontes do partido de direita "Republicanos".

A França foi alvo desde 2015 de uma série de ataques que mataram 238 pessoas. Desde o início de 2016, cerca de vinte tentativas de atentados foram frustradas, segundo o governo.

Mais de 50.000 policiais e gendarmes, apoiados por militares da operação Sentinela, serão mobilizados para garantir a segurança durante a votação de domingo, principalmente nos arredores dos 67.000 colégios eleitorais.

Incerteza para o segundo turnoAs acusações de empregos fictícios contra François Fillon e Marine Le Pen, a irrupção do jovem "progressista" nem de direita nem de esquerda Emmanuel Macron e o carisma do ícone da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon agitaram a eleição, em que cerca de 30% dos eleitores ainda não sabem em quem votar.

A diferença diminuiu nos últimos dias entre os quatro principais candidatos.

"Quatro cabeças para um quebra-cabeça", resumiu nesta terça-feira o jornal Libération, observando a situação "extraordinária e sem precedentes" no país, depois de uma campanha marcada por reviravoltas.

"Durante quase todas as eleições presidenciais, os finalistas para o segundo turno já estavam definidos desde fevereiro/março. Desta vez a incerteza é real", ressalta Frédéric Dabi, do instituto de pesquisas Ifop.

Neste contexto, os candidatos estão redobrando os esforços para convencer os indecisos e aqueles tentados a não votar.

"O fato importante é o comportamento dos abstencionistas, muito mais numerosos do que em eleições anteriores", observa Frédéric Dabi.

"Foram 20% em 2012, 18% em 2007, e desta vez giram em torno de 30%".

Um dia após uma demonstração de força em Paris, onde reuniu 20.000 partidários, Emmanuel Macron passeou nesta terça-feira pelos corredores do mercado de Rungis, ao sul de Paris.

"Convencido de estar no segundo turno", François Fillon visita nesta terça-feira o norte da França.

Após navegar pela região parisiense na segunda-feira, Jean-Luc Mélenchon deve realizar um comício por meio de holograma em seis cidades.

Marine Le Pen estará na quarta-feira no grande porto mediterrâneo de Marselha, um dos seus redutos, depois de ter defendido na segunda-feira uma "moratória" sobre a "imigração legal".

Saiba como funcionam as eleições presidenciais na França

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