Perguntas que o Brasil está se fazendo sobre a crise que pode derrubar Temer

Brasília, 24 Mai 2017 (AFP) - A sensação é de "déjà vu". Um ano depois, mais um presidente pode cair. Depois do impeachment de Dilma Rousseff, seu vice-presidente e sucessor, Michel Temer, está sob forte pressão por uma crise deflagrada por circunstâncias certamente diferentes, mas igualmente truculentas.

Várias perguntas e teorias conspiratórias abundam sobre o terremoto político que paira sobre o Brasil há uma semana.

- Por que Temer recebeu Batista em sua casa?No epicentro da crise, está Joesley Batista, um dos donos da maior processadora de proteína animal do mundo, a JBS.

Envolvido em vários escândalos de corrupção, o empresário, de 44, gravou uma conversa com Temer, na qual o presidente parece consentir com o pagamento de propina.

A embaraçosa conversa aconteceu em 7 de março, por volta das onze da noite, no porão da residência presidencial, o Palácio do Jaburu. Joesley chegou sem precisar se identificar.

Por que Temer recebeu um investigado? Por que não fez isso com agenda pública na sede da Presidência?

Temer garante que não tinha conhecimento da investigação sobre Batista e alega que tem "o costume" de receber pessoas em sua casa à noite.

- Por que Batista está em NY?Com medo de assistir da prisão à ruína de seu império, como aconteceu com Marcelo Odebrecht, Batista fechou uma delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

A gravação da conversa foi antes desse acordo.

Batista e outros executivos do conglomerado J&F se prontificaram a ajudar a Justiça com o rastreamento de malas cheias de dinheiro entregues a políticos, assim como a realizar mais gravações.

Nenhum deles foi preso.

Os empresários pagaram R$ 225 milhões, mas a multa para o grupo empresarial pode chegar a US$ 3 bilhões.

Batista está acompanhando a crise de Nova York.

"Esses bandidos foram castigados, ou ganharam um prêmio?" - escandaliza-se o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia.

A PGR disse à AFP que tomou essas medidas pela "excepcionalidade" das provas.

- Foi o 'crime perfeito'?O escândalo explodiu na noite de quarta-feira, dia 17, quando a coluna de Lauro Jardim publicou a bomba sobre a gravação no site do jornal O Globo.

Na quinta, a Bolsa de São Paulo e o real despencaram.

Um dia antes, a empresa JBS fez grandes movimentações financeiras que já estão sendo investigadas: comprou milhões de dólares e vendeu parte de suas ações.

Joesley sabia quando sua delação viria à tona?

"Foi o crime perfeito", declarou Temer, apresentando-se como vítima de um complô.

- Mudança de posição de O Globo?A famosa gravação foi tornada pública apenas na tarde de quinta-feira. Horas antes, o clima era tão pesado que cresciam até os rumores de uma possível renúncia de Temer.

Irritado, o presidente garantiu que não vai renunciar e, enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal abriu uma investigação.

Depois da exclusiva, O Globo publicou um editorial, no qual "apoiou desde o primeiro momento o projeto reformista" de Temer, mas afirmou que o presidente "perdeu as condições morais, éticas, políticas e administrativas" para governar.

O grupo afirma, porém, que não mudou de posição.

"O Globo não mudou de posição. Apoiou e apoia em editoriais as reformas propostas pelo governo Temer, mas isso não guarda relação com suas reportagens", disse à AFP o editor-executivo do jornal, Alan Gripp.

"Prova disso são as reportagens dos últimos dias que envolvem o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves, que, na versão de setores da esquerda brasileira, vinham sendo poupados pelo jornal", acrescentou.

- Existe plano B? -A quem interessa a queda de Temer? O presidente está convencido de que são os inimigos de suas reformas, mas esse leque é amplo.

Inclui a esquerda, poderosos sindicatos de funcionários e corporações, que se sentem ameaçados pela reforma da Previdência, e até agentes de mercado que querem reformas mais liberais.

"'Fora Temer', ok, mas para colocar quem?" - questionou o colunista Elio Gaspari.

Segundo a Constituição, se Temer cair, o Congresso deve eleger quem completa o mandato até 2018. Nas ruas, aumenta o clamor por eleições diretas para evitar que o próximo presidente deva seu cargo a dezenas de congressistas também sob investigação.

A crise surgiu para acabar de vez com a corrupção?

Sobre essa pergunta, o humorista Marcius Melhem levanta várias hipóteses: que tudo seja uma "cortina de fumaça" para que o ex-presidente Lula seja preso, que seja um acordo secreto "entre o Poder Judiciário, a Polícia Federal e a grande imprensa", ou até um elemento de distração na semana "horribilis" de Donald Trump com o FBI.

csc/js/ml/tt

JBS SA

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