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UE: não há justificativa razoável para falta de acordo no Brexit

06/07/2017 06h23

Bruxelas, 6 Jul 2017 (AFP) - O negociador europeu para o Brexit, Michel Barnier, advertiu nesta quinta-feira que não existe nenhuma justificativa razoável para uma falta de acordo nas negociações de saída do Reino Unido da União Europeia (UE), 11 dias antes do início da segunda etapa de conversações.

"Não existiria, na minha opinião, nenhuma justificativa razoável, nenhuma razão para agravar as consequências do Brexit. Por isso queremos um acordo, disse Barnier em um discurso para representantes da sociedade civil europeia em Bruxelas.

Para o homem que negocia em nome dos 27 países, "um, acordo equilibrado é de longe preferível a uma falta de acordo".

"Uma ausência de acordo agravaria a situação perdedora para todos do Brexit. O Reino Unido teria mais a perder que seus sócios", disse.

Quase um ano depois da vitória do Brexit em um referendo no Reino Unido, as negociações de divórcio começaram formalmente no dia 19 de junho, com o objetivo de alcançar um acordo antes da saída dos britânicos do bloco, prevista inicialmente para março de 2019.

Na primeira rodada de conversações, as partes concordaram em negociar as prioridades europeias para a saída: os direitos dos cidadãos residentes no Reino Unido e a conta a ser paga por Londres com a saída, além da situação da fronteira na ilha da Irlanda.

Barnier reiterou nesta quinta-feira que deseja avanços "de modo paralelo" nos três pontos, para conseguir iniciar as discussões sobre um futuro marco das relações diplomáticas, que poderia incluir um acordo de livre comércio desejado por Londres.

"Uma falta de acordo faria com que nossa relação comercial com o Reino Unido passasse ao regime da Organização Mundial do Comércio" (OMC), destacou o negociador europeu, ao recordar que isto implica direitos de alfândega de quase 10% para a importação de veículos, por exemplo.

Os direitos de alfândega para o cordeiro e o pescado que o Reino Unido exporta em sua maioria para os demais países da UE seriam de 19% em média, completou Barnier.