Turcos-cipriotas liberam tripulação de navio fretado pela extrema-direita contra a imigração

Nicósia, 27 Jul 2017 (AFP) - Um tribunal turco-cipriota liberou nesta quinta-feira a tripulação do C-Star, um navio fretado por militantes de extrema-direita para lutar contra a imigração ilegal, informou um jornal local.

O capitão, seu primeiro oficial, o proprietário do barco e os sete membros da tripulação, que haviam sido detidos na quarta-feira, foram liberados, segundo o jornal Kibris Postasi.

A imprensa havia indicado que uma das causas da detenção seria por suspeita de uso de documentos falsos.

A televisão pública turco-cipriota BRT informou, por sua vez, que o grupo foi liberado por falta de provas.

A operação "Defend Europe" (Defendendo a Europa) é conduzida pela rede europeia Generation Identitaire (GI).

Graças a uma campanha de coleta de fundos lançada em meados de maio na Internet, e apesar de uma campanha de oposição que forçou o serviço de pagamento online Paypal a congelar sua conta, os ativistas levantaram mais de 87.000 dólares (76.000 euros) com cerca de mil doadores.

Esses recursos foram usados para alugar o C-Star e sua tripulação.

Na semana passada, o grupo de extrema-direita denunciou que o navio havia permanecido bloqueado por uma semana no canal de Suez, porque algumas ONGs acusaram seu proprietário de transportar imigrantes.

Segundo o jornal Kibris Postasi, 20 pessoas que estavam a bordo do navio e que disseram ser estudantes, foram levadas ao aeroporto. O veículo se limitou a dizer que cinco haviam apresentado pedido de asilo.

O objetivo do grupo é "mostrar a verdadeira face das ONGs que se dizem humanitárias, sua colaboração com a máfia dos contrabandistas e as consequências mortais de suas atividades no mar", explica Clement Galant, em um vídeo nas redes sociais.

"Durante nossa missão, quando cruzarmos com barcos cheios de imigrantes ilegais, vamos chamar a Guarda Costeira líbia para que eles possam vir resgatá-los", acrescentou.

A expectativa do grupo é que os imigrantes sejam reconduzidos para esse país do norte da África.

Para a Guarda Costeira italiana, a Líbia não oferece um "porto seguro" no que diz respeito ao Direito Marítimo e, nesse sentido, seus agentes organizam a transferência - para a Itália - dos migrantes socorridos em tarefas sob sua coordenação.

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