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Veja as principais datas da desafio separatista da Catalunha

20/12/2017 17h25

Barcelona, 20 dez 2017 (AFP) - Confira as principais datas da ascensão do separatismo na Catalunha:

- "Nação" -Em março de 2006, o Parlamento espanhol adota um novo estatuto que reforça a autonomia da Catalunha. O preâmbulo a define como uma "nação" dentro do Estado espanhol.

Em julho, o direitista Partido Popular (então na oposição e já dirigido por Mariano Rajoy), apresenta um recurso contra o novo Estatuto de autonomia ao Tribunal Constitucional. Rajoy critica o texto como uma ameaça à unidade da Espanha.

Em junho de 2010, o Tribunal Constitucional anula uma parte do Estatuto. Conclui que a referência à Catalunha como "nação" não tem "nenhum valor jurídico" e que "a Constituição não conhece outra que não a Nação espanhola". Muitos catalães o recebem como uma ofensa e no mês seguinte centenas de milhares se manifestam.

- Auge separatista -Em 11 setembro de 2012, mais de um milhão de pessoas se manifestam em Barcelona pela ocasião da Diada, a festa da Catalunha, sob o slogan: "Catalunha, próximo Estado da Europa.

Em 20 de setembro, Rajoy -chefe de governo desde 2011- se nega a negociar com o presidente regional catalão, Artur Mas, uma maior autonomia fiscal para a Catalunha. Mas, um nacionalista conservador que pouco a pouco se tornou separatista, ganha as eleições regionais em novembro prometendo celebrar um referendo de autodeterminação.

Em 9 de novembro de 2014, a Catalunha organiza uma consulta simbólica, declarada anticonstitucional pela justiça espanhola. A taxa de participação é de aproximadamente 35%. Cerca 80% dos votantes se pronunciam a favor da secessão.

- Maioria parlamentar -Em 27 de setembro de 2015, os partidos separatistas obtêm a maioria dos assentos do parlamento regional, que adota o 9 de novembro uma resolução pela que declara o lançamento do processo para a proclamação de um Estado catalão independente em forma de república. Será depois anulada pelo Tribunal Constitucional.

Em 10 de janeiro de 2016, Carles Puigdemont, separatista de longa data, é designado presidente de Catalunha.

- Referendo de autodeterminação - Em junho de 2017, Puigdemont anuncia a celebração de um referendo de autodeterminação para em 1 de outubro com a pergunta: "Quer que Catalunha seja um Estado independente em forma de República?".

Em setembro, nas semanas prévias ao referendo, a justiça espanhola suspende a lei que organiza a consulta, detém altos responsáveis do governo catalão e ordena a apreensão de grande quantidade de material eleitoral.

Apesar disso, o governo regional segue em frente e o celebra em 1 de outubro. As forças da ordem intervêm para confiscar as urnas em pelo menos uma centena de sessões eleitorais e as imagens da violência policial dão a volta ao mundo.

O Executivo catalão anuncia que o "sim" venceu com 90% dos votos e uma participação de 42,3%, nesta consulta que não contou com a supervisão de nenhuma autoridade judicial independente.

Após tensas semanas marcadas por grandes manifestações, em 27 de outubro o parlamento catalão declara unilateralmente a independência. Horas mais tarde, o governo central anuncia a tomada do controle da região, destitui o executivo catalão e convoca eleições para 21 de dezembro.

- Exílio autoimposto ou prisão preventiva -Em 30 de outubro, minutos depois da procuradoria espanhola anunciou processos contra Puigdemont e seu governo por rebelião, sedição, malversação de recursos. Noticiou-se que o presidente catalão destituído se encontrava em Bruxelas junto a quatro de seus ex-ministros.

O vice-presidente cassado, Oriol Junqueras, e outros três líderes separatistas continuam em prisão preventiva.

Os partidos separatistas e os unionistas realizaram em 19 de dezembro seus atos de encerramento de campanha. Puigdemont, que se dirigiu a seus apoiadores por vídeo da Bélgica, é candidato a presidir o governo catalão, assim como Junqueras.

Em 21 de dezembro, os catalães vão às urnas, com o partido ERC de Junqueras e o mais hostil ao nacionalismo catalão, Cidadãos, liderando as pesquisas, embora nenhum com maioria absoluta, o que abre caminho para coalizões transversais e inclusive, em caso de bloqueio persistente, à repetição de eleições.

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