Ao menos 12 soldados do regime sírio morrem em bombardeios atribuídos à coalizão

Beirute, 24 Mai 2018 (AFP) - Ao menos 12 combatentes do regime sírio morreram nesta quinta-feira (24) no leste do país em bombardeios que Damasco e uma ONG atribuíram à coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, que negou qualquer responsabilidade nos ataques.

Os bombardeios ocorreram em um setor da província de Deir Ezzor, onde a coalizão internacional e as forças leais ao regime de Bashar al-Assad lutam separadamente contra os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI).

A coalizão internacional, formada por vários países ocidentais, intervém na Síria desde 2011 para combater os membros do EI, embora também tenha atacado forças pró-governo nos últimos anos.

Nesta quinta-feira, seus aviões atingiram posições do Exército ao sul de Bukamal, uma cidade localizada a poucos quilômetros da fronteira iraquiana, indicou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Ao menos 12 membros estrangeiros das forças pró-governo sírio morreram nesses ataques.

Uma fonte militar, citada pela agência de notícias oficial síria Sana, disse que várias posições do regime entre Bukamal e Hmeimeh foram alvo de "um ataque de aviões da coalizão americana", sem mencionar nenhuma vítima.

É difícil determinar se havia extremistas na região no momento dos bombardeios. Sabe-se, no entanto, que os combatentes iranianos do movimento libanês xiita Hezbollah e soldados iraquianos apoiam as tropas do governo nesse setor.

- 'Informações falsas' -"Essas informações são falsas", indicou um porta-voz do Pentágono, o tenente-coronel Kone Faulkner. "A coalizão não realizou nenhum bombardeio contra posições do Exército sírio no leste da Síria", afirmou.

A missão da coalizão "é vencer o EI em áreas específicas do Iraque e da Síria", acrescentou. "Essa missão não mudou", declarou.

Bukamal e Hmeimeh estão na província oriental de Deir Ezzor, onde as tropas pró-regime, de um lado, e da coalizão internacional e as Forças Democráticas Sírias (FDS, uma coalizão dominada pelos curdos), de outro, realizam ofensivas contra o EI.

A coalizão internacional apoia as FDS em sua luta contra os extremistas. O EI perdeu a maior parte do território que controlava desde 2014 na Síria e no Iraque, mas ainda está presente em áreas desérticas entre os dois países, especialmente na província de Deir Ezzor.

Uma linha simbólica chamada de "distensão" ao longo do rio Eufrates desde 2017 é destinada a impedir que as forças pró-regime (a oeste do rio) e as FDS (a leste) se enfrentem.

- Restam extremistas no local? -Após os bombardeios, o regime enviou reforços à região, segundo o OSDH.

Em fevereiro, os ataques da coalizão na província de Deir Ezzor deixaram ao menos 100 combatentes do regime e aliados mortos, incluindo russos, em retaliação a um ataque contra posições das FDS.

Em setembro de 2016, os ataques contra posições militares do regime, também no leste do país, mataram mais de 60 soldados sírios.

Com a ajuda militar de seu aliado russo, que intervém desde 2015 no conflito, o regime recuperou mais de 60% do território controlado pelos extremistas.

Na segunda-feira, tropas do governo expulsaram o EI de seu último reduto na região de Damasco.

Mais de mil extremistas foram evacuados desta área para o deserto que se estende do centro da Síria até as fronteiras orientais com o Iraque.

Menos de 24 horas depois dos bombardeios atribuídos à coalizão, vários mísseis, provavelmente disparados pela aviação israelense, foram lançados contra depósitos de armas do Hezbollah libanês no centro do país, informou o OSDH.

"Seis mísseis foram disparados contra o aeroporto militar de Dabaa e seus arredores no setor oeste da província de Homs e atingiram depósitos de armas do Hezbollah libanês", declarou à AFP o diretor do Observatório, Rami Abdel Rahman.

A guerra na Síria começou em março de 2011 com a repressão de manifestações pró-democracia, mas evoluiu para um complexo conflito, com o envolvimento de grupos extremistas e de potências regionais e internacionais.

Até agora, o conflito deixou mais de 350.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados.

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