Deputados espanhóis debatem moção de censura contra Rajoy

Madri, 31 Mai 2018 (AFP) - Os deputados espanhóis começaram a debater nesta quinta-feira uma moção de censura apresentada pela oposição socialista que busca destituir o chefe de governo Mariano Rajoy, enfraquecido pela condenação de seu Partido Popular em um escândalo de corrupção.

Iniciado às 07h00 GMT (4h00 de Brasília), o debate vai continuar durante todo o dia antes de uma votação para decidir o destino de Rajoy na sexta-feira.

"Seu mandato à frente da presidência do governo é prejudicial, e é um fardo não apenas para a Espanha, mas para seu partido", declarou o líder socialista Pedro Sánchez, que o substituirá no cargo em caso de aprovação da moção.

"Parece que a questão aqui é sobre o Sr. Sanchez entrar. Todo o resto é literatura (...) o importante é que ele assuma o cargo sem passar pelas urnas", recriminou Rajoy.

Esta é a quarta moção de censura desde o retorno à democracia na Espanha em 1977 - as três anteriores fracassaram - e era vista no início desta semana como algo com poucas chances de passar, mas nas últimas horas o vento mudou de direção.

"As opções de sucesso estão aumentando", confirmou Antonio Barroso, analista do escritório Teneo Intelligence, evocando uma probabilidade de 65%.

Apresentada na sexta-feira passada pelo Partido Socialista (PSOE), depois que o PP de Rajoy foi condenado em um grande processo por corrupção, a quarta moção deve alcançar a maioria absoluta indispensável de 176 votos.

O PSOE, principal força de oposição que propõe o seu líder Pedro Sánchez para substituir Rajoy, dispõe somente de 84 deputados dos 350 da Câmara dos Deputados.

A crise explodiu um dia depois do anúncio da condenação do PP como beneficiário de um caso de financiamento ilegal.

O caso conhecido como "trama Gürtel" era um sistema pelo qual, entre 1999 e 2005, dirigentes do PP foram subornados em várias regiões da Espanha para conceder contratos públicos a empresas "amigas".

A Audiência Nacional, tribunal competente para casos de corrupção, condenou 29 pessoas a um total de 351 anos de prisão. Os dois principais responsáveis pela trama, o ex-tesoureiro do PP Luis Bárcenas e o empresário Francisco Correa, foram condenados a 33 anos e 4 meses e a 51 anos e 11 meses de prisão, respectivamente.

A decisão confirmou a existência de um "caixa 2" na sigla, "uma estrutura financeira e contábil paralela à oficial existente ao menos desde o ano 1989".

A Audiência também condenou o PP a pagar 245.492 euros como "partícipe a título lucrativo" da rede de corrupção, uma decisão da qual o partido conservador, presidido por Rajoy desde 2004, pretende recorrer.

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