Populistas tentam mais uma vez formar governo na Itália

Roma, 31 Mai 2018 (AFP) - O Movimento Cinco Estrelas (M5E, antissistema) e a Liga (extrema-direita) relançaram sua tentativa de formar um governo de união, sob o olhar atento do presidente a República que exige garantias sobre a manutenção na zona do euro.

Em acordo com o presidente Sergio Mattarella, Carlo Cottarelli, economista responsável pela formação de um governo de especialistas para conduzir os assuntos correntes antes de novas eleições, congelaram os trabalhos para dar tempo às discussões.

A ideia de um governo M5E-Liga havia sido abandonada no domingo à noite após o veto de Mattarella à nomeação à frente do Ministério da Economia e Finanças de Paolo Savona, um economista que considera o euro como "uma prisão alemã".

Na quarta-feira à noite, Luigi Di Maio propôs um compromisso: manter Savona, mas em outra posição, e nomear em seu lugar uma personalidade "do mesmo escopo". Uma proposta que Mattarella "estuda com atenção", segundo seus serviços.

Matteo Salvini, que havia se lançado em campanha na quarta-feira com comícios na Toscana e na Ligúria, também abriu a porta ao debate. Ele cancelou os comícios programados para esta quinta-feira na Lombardia para retornar a Roma.

Giuseppe Conte, o jurista que havia sido escolhido por Di Maio e Salvini para liderar o seu governo de união, indicou que manteria seu curso de direito esta manhã em Florença, mas que retornaria a Roma logo depois.

Salvini defende o programa comum e a equipe já negociada, com uma eventual adição de Fratelli d'Italia, a pequena formação de extrema-direita liderada por Giorgia Meloni, cujos 18 senadores ampliariam a maioria estreita do M5E e da Liga no Senado.

O tempo é curto: a Itália precisa de um primeiro-ministro para a parada militar de sábado, feriado nacional, e para o G7 de La Malbaie na próxima semana no Canadá.

Apesar do clima de extrema incerteza, os mercados financeiros parecem confirmar nesta quinta a recuperação de ontem. A Bolsa de Milão crescia quase 1% ao meio-dia, depois de ter fechado em alta de 2% na quarta-feira, enquanto o "spread" caiu para 233 pontos.

Já os italianos parecem menos serenos: de acordo com uma pesquisa realizada entre terça e quarta-feira pelo instituto Demopolis, 54% dos entrevistados disseram estar "preocupados" com a situação política, 30% "com raiva", 11% "desapontados" e apenas 5 % "confiantes".

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