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Congresso americano se despede do senador John McCain

31/08/2018 21h31

Washington, 1 Set 2018 (AFP) - Milhares de americanos se despediram nesta sexta-feira do senador republicano John McCain, cujo corpo permanecerá até o próximo domingo no Capitólio como parte das homenagens iniciadas há dois dias para este herói da Guerra do Vietnã.

Centenas de membros do Congresso, incluindo seus 99 colegas do Senado, assistiram à cerimônia realizada sob a cúpula do Capitólio, uma honraria concedida a apenas 30 americanos ao longo da história americana.

Milhares de pessoas formaram uma longa fila do lado de fora do Capitólio, sob um forte sol, esperando a oportunidade para se despedir de um patriota.

Mas o presidente republicano Donald Trump, que mantinha divergências com o senador, não compareceu e enviou em seu lugar o vice-presidente, Mike Pence, acompanhado do secretário da Defesa, Jim Mattis, e do Conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton.

"O presidente me pediu para estar aqui, em nome de uma Nação agradecida, para pagar uma dívida de honra e respeito a um homem que serviu ao seu país durante toda a vida, com uniforme e na vida pública", declarou Pence.

McCain, ex-candidato republicano à Presidência e ex-piloto de caça preso e torturado no Vietnã, marcou profundamente os EUA para além das barreiras ideológicas, com seu estilo político de franco-atirador.

"John McCain dominou nossa época, não apenas pelo que ele conquistou, mas pelo que ele era e por tudo que ele enfrentou por toda sua vida", declarou o presidente da Câmara de Representantes, o republicano Paul Ryan.

"Ele estará para sempre na lista dos servidores mais corajosos e fiéis à nossa liberdade", completou.

A homenagem feita a ele sob a cúpula do Capitólio é "rara", reservada aos grandes personagens da história dos EUA, como John F. Kennedy, ou Rosa Parks, destacou.

Seu caixão repousa sobre um catafalco em madeira, construído para o presidente Lincoln.

Acompanhado de sua mãe, Roberta, de 106 anos, de seus sete filhos e da mulher, Cindy, o caixão de

John McCain entrou pouco antes 11h (12h em Brasília) pela última vez no Congresso, sua segunda casa por mais de 30 anos.

Além dos senadores e representantes, democratas e republicanos, vários diplomatas compareceram à cerimônia.Pence representará o Executivo de Donald Trump, juntamente com o secretário da Defesa, Jim Mattis, e com o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton.

No sábado, os ex-presidentes George W. Bush (republicano) e Barack Obama (democrata) devem discursar na cerimônia fúnebre na catedral de Washington. Tanto Bush quanto Obama puseram fim às ambições presidenciais de John McCain: o primeiro, nas primárias republicanas em 2000, e o segundo, na corrida eleitoral de 2008.

- Trump, o grande ausente -Grande ausente, Donald Trump não estará em nenhuma dessas cerimônias. Nem ele nem McCain escondiam o desprezo mútuo.

Foi somente depois da repercussão negativa que o presidente Trump prestou uma homenagem direta, na segunda-feira à noite, a um dos raros políticos a criticá-lo dura e abertamente em Washington.

Em 2015, o empresário nova-iorquino ironizou o status de "herói de guerra" de John McCain, forjado em cinco anos de cativeiro e torturas durante a Guerra do Vietnã.

"Gosto das pessoas que não foram capturadas", afirmou Trump, que não prestou serviço militar.

"Mal informado", "impulsivo", Donald Trump estimula os "loucos", declarou John McCain.

Em sua carta de despedida, divulgada na segunda-feira, o "maverick" desafiou o presidente pela última vez, com uma crítica aos riscos da cada vez maior divisão política no país.

- O fator 'Sarah Palin' -John McCain nem sempre foi uma unanimidade.

No Senado, foi um ferrenho defensor da guerra no Iraque.

E muitos o condenaram por ter escolhido Sarah Palin como vice em sua chapa em 2008, uma candidata de estilo populista ligada ao grupo conservador Tea Party, movimento que contribuiu para "preparar o terreno" para a chegada de Donald Trump à política.

Desde seu falecimento no último sábado, aos 81 anos, vítima de um câncer no cérebro, são as homenagens de todas as tendências políticas que prevalecem nos EUA, porém.

Na quinta-feira, o ex-vice-presidente democrata Joe Biden saudou, em um emocionado discurso, a memória daquele que considerava como "um irmão". Biden discursou diante do caixão coberto com uma bandeira americana em Phoenix, capital do estado do Arizona, representado pelo republicano no Senado.

Na véspera, mais de 15.000 pessoas passaram pelo no Parlamento local para dar um último adeus a McCain.

O enterro, que será restrito a familiares e amigos, será no domingo, no cemitério da Academia Naval, em Anápolis, próximo de Washington.

bur-elc/seb/tt

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