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Israel aprova construção de 2.200 casas nas colônias da Cisjordânia

26/12/2018 19h11

Jerusalém, 26 dez 2018 (AFP) - Uma comissão do ministério israelense da Defesa aprovou os projetos para a construção de ao menos 2.200 residências nas colônias da Cisjordânia ocupada, anunciou nesta quarta-feira o movimento em Israel "Paz Agora", contrário à medida.

O tema das colônias é uma questão crucial na vida política israelense no momento em que o Parlamento se prepara para votar sua dissolução visando as eleições antecipadas de 9 de abril.

"Paz Agora" revelou que entre terça e quarta-feira foram aprovados planos para a construção de 2.191 residências, algumas em colônias isoladas, "que deverão ser retiradas no caso de se alcançar um acordo sobre a solução de dois Estados".

"Milhares de residências foram aprovadas pelo governo em 2018 (...). Netanyahu quer sacrificar os interesses israelenses diante das eleições oferecendo aos colonos um presente para atrair os votos da extrema direita".

Netanyahu, cuja coalizão é considerada a mais à direita da história de Israel, se reuniu na manhã desta quarta-feira em Jerusalém com os dirigentes das colônias judaicas da Cisjordânia ocupada para pedir apoio.

"Assistiremos a uma tentativa da esquerda de tomar nosso poder com a ajuda da mídia e de outros", declarou o premier. "Não podem ter sucesso, porque do contrário o movimento que vocês representam estará claramente em perigo".

O dirigente palestino Saeb Erekat lamentou "o roubo de terras e recursos palestinos em prol da expansão ilegal das colônias, no contexto da campanha eleitoral de Netanyahu". "Este anúncio faz parte de uma longa lista de violações israelenses ao direito internacional".

As colônias são consideradas ilegais pela comunidade internacional e constituem um dos principais obstáculos para um acordo de paz.

Ao menos 430 mil colonos israelenses convivem em conflito quase permanente com mais de 2,5 milhões de palestinos na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967.