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Jair Bolsonaro, um político de extrema direita no comando do Brasil

27/12/2018 09h02

Brasília, 27 dez 2018 (AFP) - Jair Bolsonaro ganhou mais notoriedade por suas declarações misóginas, racistas e homofóbicas do que por seus projetos como deputado, mas a ambição deste capitão da reserva, garimpeiro nas horas vagas, o levou a encontrar o tesouro mais precioso de sua carreira: a Presidência da República.

O ultradireitista de 63 anos conquistou o voto de 57,7 milhões de eleitores (55%,1) em outubro passado na disputa do segundo turno contra o petista Fernando Haddad; e sua força política, o até então inexpressivo Partido Social Liberal (PSL), se tornou a segunda maior representação na Câmara dos Deputados.

Nostálgico da ditadura militar (1964-1985) e de seus métodos de tortura, Bolsonaro se anuncia como um governante linha-dura, que se diz capaz de regenerar um país esgotado com os escândalos de corrupção, a violência e a crise econômica.

É chamado de "o Donald Trump brasileiro" por sua retórica incendiária e o amplo uso das redes sociais em detrimento da imprensa tradicional, a qual costuma acusar de produzir "notícias falsas" contra ele.

Quase morreu em 6 de setembro, ao levar uma facada no abdômen durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG). A agressão o deixou três semanas hospitalizado, mas não o afastou das redes sociais, nas quais têm milhões de seguidores.

- O garimpeiro -Durante seus 27 anos como deputado, Bolsonaro só conseguiu impulsionar e aprovar dois projetos.

Mas sua limitada transcendência política nunca foi sinônimo de poucas aspirações, nem de falta de astúcia. Foi o deputado mais votado nas eleições de 2014. E depois de passar por vários partidos, ingressou no começo de 2018 no PSL.

Demonstrou a mesma persistência e ambição de seus dias como 'garimpeiro', atividade que no País costuma ser exercida na ilegalidade. "O garimpo é um vício, está no sangue", declarou.

Bolsonaro aprendeu a garimpar com seu pai, Percy Geraldo Bolsonaro, que nos anos 1980 procurou ouro em Serra Pelada, no Pará. O patriarca também sustentou a família como dentista prático, sem formação em odontologia.

Agora, seu filho ambiciosa explorar áreas demarcadas, como a gigantesca reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, rica em nióbio, um metal leve usado na siderurgia e na indústria aeronáutica.

"É a área mais rica do mundo. Você tem como explorar de forma racional, assegurou.

- O salvador da pátria -Jair Messias Bolsonaro nasceu em 1955 em Campinas, interior de São Paulo, em uma família de origem italiana. Desde muito jovem simpatizou com a vida militar e entrou para o Exército antes de completar 20 anos.

Apesar da trajetória parlamentar, apresenta-se como o "outsider" da política, por não ter feito alianças com os partidos tradicionais.

Mas no Congresso, conquistou a poderosa bancada do agronegócio e líderes de igrejas neopentecostais, que o apoiaram para evitar a volta da esquerda ao Palácio do Planalto.

Nas redes sociais, prometeu "reduzir o Estado, desenvolvimento sem entraves de ONGs, acordos comerciais bilaterais já em andamento e mudar, mudar a atual pífia linha educacional e a segurança".

Colocou nas mãos dos militares sete de seus 22 ministérios.

Para o ministério da Justiça e Segurança Pública indicou Sérgio Moro, o juiz que à frente da 'Lava Jato' levou ao banco dos réus e para a prisão dezenas de empresários e políticos, inclusive o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), preso desde abril em Curitiba.

No entanto, antes mesmo da posse, suspeitas de corrupção já rondam seu entorno. Fabrício Queiroz, ex-motorista de um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro, terá que explicar transferências bancárias muito superiores à sua renda; e um tribunal de São Paulo suspendeu por três anos os direitos políticos de seu futuro ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por crime de improbidade administrativa.

- Imprevisível - "Brasil acima de tudo. Deus acima de todos", diz seu lema de campanha.

Contrário ao aborto e defensor da família tradicional, Bolsonaro tem cinco filhos de três casamentos: quatro homens - três dos quais se dedicam à política - e uma menina, que segundo disse certa vez foi fruto de "uma fraquejada".

Em 2003, disse à deputada Maria do Rosário (PT-RS), que o acusava de fazer apologia ao estupro, que ela não merecia ser estuprada por ser muito feia.

Durante a campanha presidencial, declarações como esta levaram centenas de milhares de mulheres às ruas das cidades brasileiras para pedir "Ele não", mas não conseguiram frear sua ascensão.

Em entrevista em 2011 à revista Playboy, disse que preferiria que seus filhos morressem em um acidente a que fossem homossexuais.

Recentemente, prometeu, em tom mais moderado, governar "em benefício de todos sem distinção de origem social, raça, sexo, cor, idade, ou religião".

A partir de 1º de janeiro, começará a se definir como o candidato Bolsonaro, eleito com um discurso de oposição, vai encontrar o estadista, e quais as possibilidades que terá, como chefe de Estado, de seguir os rumos que os eleitores esperam dele.

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