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Internacional

Trump responsabiliza democratas por morte de crianças imigrantes sob custódia

29/12/2018 20h39

Washington, 29 dez 2018 (AFP) - O presidente americano, Donald Trump, responsabilizou neste sábado (29) os democratas pela morte de duas crianças guatemaltecas sob custódia da patrulha fronteiriça americana, em meio a um confronto político pela paralisação parcial do governo.

"Qualquer morte de crianças ou outras pessoas na fronteira é estritamente culpa dos democratas e de sua patética política migratória, que permite às pessoas fazer uma longa viagem achando que podem entrar ilegalmente em nosso país", publicou o presidente no Twitter. "Não podem. Se tivéssemos o muro, sequer tentariam!"

A morte de duas crianças guatemaltecas - um menino de 8 anos, em 24 de dezembro, e uma menina de 7, em 8 de dezembro - enquanto estavam detidas, após cruzarem a fronteira do México de forma ilegal, gerou uma onda de críticas. A Guatemala pediu uma "investigação clara" do ocorrido.

"As crianças estavam muito doentes antes de serem entregues à patrulha fronteiriça. O pai da menina disse que não foi culpa deles, ele que não havia dado água a ela por dias", continuou Trump. "A patrulha fronteiriça precisa do muro, e tudo acabará", assinalou.

Para conter a imigração, Trump quer construir um muro na fronteira com o México, cujo orçamento de 5 bilhões de dólares é alvo de uma disputa com a oposição democrata, o que provocou a paralisação parcial do governo federal desde 22 de dezembro.

"O presidente cai sempre ao nível mais baixo com seus tuítes ridículos", criticou o deputado democrata Dwight Evans no Twitter. "Seu governo é a causa da dor e do sofrimento na fronteira. Nada do que disser mudará esta realidade", afirmou.

Já para o "Washington Post", "Trump politiza a morte de duas crianças imigrantes para marcar pontos em sua guerra sobre o muro fronteiriço".

A secretária de Segurança Interior, Kirstjen Nielsen, encontrava-se em Yuma, Arizona, no segundo dia de uma visita para observar em primeira mão as operações na fronteira, depois que, na semana passada, afirmou que serão tomadas "medidas extraordinárias" para enfrentar o número crescente de crianças imigrantes sob custódia.

"Sob meu comando, todas as crianças que estiverem sob custódia no serviço de vigilância de fronteiras serão submetidas a uma avaliação médica exaustiva", afirmou a funcionária.

Kirstjen assinalou que, nos últimos dois meses, agentes detiveram 140 mil pessoas na fronteira sul, contra uma cifra de 75 mil no mesmo período de 2017.

Mais cedo neste sábado, o presidente voltou a responsabilizar os democratas pela paralisação orçamentária: "Estou na Casa Branca esperando que os democratas venham e façam um acordo sobre Segurança Fronteiriça", tuitou. O presidente já havia prometido que não cederá até que consiga o dinheiro para o muro.

Kirstjen Nielsen afirmou hoje que, "se o Congresso atuar, poderemos solucionar esta crise a partir de amanhã, mas, em vez disso, continuamos fazendo mais com menos".

A bola está no campo do Senado, que irá retomar a análise da lei orçamentária em 2 de janeiro.

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