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Internacional

Espanha, França e Alemanha dão oito dias de prazo a Maduro antes de reconhecer Guaidó

26/01/2019 11h33

Madri, 26 Jan 2019 (AFP) - Os governos da Espanha, França e Alemanha deram neste sábado um ultimato de oito dias ao presidente venezuelano Nicolás Maduro para convocar eleições, pois, em caso contrário, devem reconhecer o líder parlamentar opositor Juan Guaidó como "presidente" interino.

"Se no prazo de oito dias não acontecer uma convocação de eleições justas, livres e transparentes na Venezuela, a Espanha reconhecerá Juan Guaidó como presidente da Venezuela", afirmou o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez.

"O governo da Espanha dá oito dias a Nicolás Maduro para convocar eleições", disse o chefe de Governo espanhol. "Se isto não acontecer, reitero, se não acontecer isto, a Espanha reconhecerá Guaidó como presidente encarregado de organizar as eleições".

"Nós não buscamos colocar ou remover governos na Venezuela. Queremos democracia e eleições livres na Venezuela", insistiu.

O ultimato foi seguido por França e Alemanha com poucos minutos de intervalo.

o presidente francês Emmanuel Macron divulgou uma mensagem em sua conta no Twitter.

"O povo venezuelano deve poder decidir livremente seu futuro. Sem eleições anunciadas dentro de oito dias, estamos prontos para reconhecer Juan Guaidó como 'presidente encarregado' da Venezuela" para implementar tal processo político", escreveu.

Na mesma rede social, a porta-voz do governo alemão, Martinha Fietz, seguiu a mesma linha: "O povo venezuelano tem que poder decidir livremente e em total segurança o seu futuro. Caso não sejam anunciadas eleições em um prazo de oito dias, estamos dispostos a reconhecer Juan Guaidó, para que inicie este processo político, como presidente interino".

Este são os pronunciamentos mais explícitos de Estados membros da União Europeia (UE) desde a autoproclamação, na quarta-feira passada, do líder opositor de 35 anos como presidente interino do país sul-americano.

Guaidó foi reconhecido rapidamente por Estados Unidos, Brasil, Argentina e Colômbia.

O advertência de Espanha, França e Alemanha aconteceu após dias de negociações para estabelecer uma posição comum na UE que pressionasse Maduro a convocar eleições.

Os países membros, no entanto, não conseguiram um acordo na sexta-feira para uma declaração tão explícita.

Depois de alguns dias de silêncio e pressionado pela oposição de direita na Espanha para reconhecer Guaidó, Sánchez, que conversou por telefone na quinta-feira com o o líder opositor venezuelano, deu um passo adiante neste sábado.

"A todo momento, a Espanha liderou a posição da União Europeia favorável à democracia e à liberdade. E nós fazemos isso em coerência com o nosso relacionamento especial e com a nossa responsabilidade como membro da comunidade ibero-americana", declarou.

"Guaidó é a pessoa que encarna, em nossa visão, a máxima representação da Assembleia Nacional ao ostentar sua presidência e, em consequência, é a pessoa que deve liderar esta transição para eleições livres", afirmou Sánchez.

Na sexta-feira, durante uma entrevista coletiva, Maduro atacou o governo espanhol.

"Se eles querem eleições, que façam eleições na Espanha", disse, em referência ao fato de Sánchez não ter sido eleito nas urnas, e sim como resultado de uma moção de censura ao governo anterior.

"Não tem moral para dar lições à Venezuela nem para apresentar um ultimato", disse Maduro na véspera da advertência de Sánchez.

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