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Jornalistas críticos ao governo são processados na Nicarágua

30/01/2019 22h44

Manágua, 31 Jan 2019 (AFP) - A justiça nicaraguense decidiu nesta quarta-feira (30) processar o diretor do canal privado de televisão 100% Noticias, Miguel Mora, e sua chefe de jornalismo, Lucía Pineda, críticos ao governo de Daniel Ortega, por supostos "atos terroristas" durante os protestos opositores, informou à AFP seu advogado.

O juiz Henry Morales programou o julgamento para o dia 15 de março, amparado em mais de 20 testemunhas da Procuradoria que acusam os jornalistas de promover a violência através do veículo de comunicação, afirmou o advogado dos comunicadores, Julio Montenegro.

Na audiência, à qual a imprensa teve acesso, o juiz considerou que há provas suficientes para processar os jornalistas, apesar de o advogado rer pedido que a acusação seja rechaçada.

"Não há um só elemento que prove que os jornalistas tenham induzido outra pessoa a cometer um ato ilegal", afirmou Montenegro, advogado da Comissão Permanente de Direitos Humanos (PCDH).

"Estão tentando criminalizar o trabalho que eles realizam como comunicadores", acrescentou.

Mora e Pineda foram detidos em 21 de dezembro depois que a polícia fez uma operação de busca na sede do canal, que liderou a cobertura televisiva dos protestos que começaram em abril contra o governo, cuja repressão deixou 325 mortos e más de 700 detidos.

Ambos estão na prisão El Chipote de Manágua, um conhecido centro de torturas, onde permanecem em condições desumanas, segundo constatou na semana passada um grupo de deputados do Parlamento Europeu que visitou o local.

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