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Internacional

Guaidó denuncia intimidação de forças de segurança

31/01/2019 17h53

Caracas, 31 Jan 2019 (AFP) - O autoproclamado presidente interino da Venezuela, o opositor Juan Guaidó, denunciou nesta quinta-feira (31) que forças especiais de segurança estão próximas de sua residência para intimidar a sua família, e responsabilizou o governo de Nicolás Maduro.

"O FAES (Forças de Ações Especiais) está na minha casa, perguntando por Fabiana (sua esposa). Neste momento a ditadura acredita que vai nos amedrontar", assegurou o líder opositor, em um ato público no auditório da principal universidade do país, em Caracas.

Junto com sua esposa, Fabiana Rosales, no tablado, Guaidó disse que em sua casa está sua filha de 20 meses. "Os farei responsáveis de qualquer coisa que façam ao meu bebê", acrescentou, dirigindo-se às autoridades.

Os Estados Unidos, que reconheceram Guaidó como presidente interino, advertiram que haverá "sérias consequências" se o governo Maduro tomar medidas para "prejudicar" o opositor, presidente do Parlamento de maioria opositora.

Desafiador, Guaidó, de 35 anos, disse sair do auditório rumo a sua casa, para o que pediu a companhia de um corpo diplomático, seguidores e outros participantes do ato.

"Claramente esta foi uma tentativa de intimidação a ele e à oposição", declarou o senador americano Marco Rubio. O secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, condenou "energicamente" a intimidação a Guaidó.

O ministro do Interior, Néstor Reverol, havia dito mais cedo que na quarta-feira foram abatidos dois homens que se passavam por efetivos dos FAES "para criar falsos positivos, terror e confusão".

- 'Emergência humanitária' -Pouco antes de sua denúncia, Guaidó apresentou seu "Plano País" para enfrentar a queda econômica da Venezuela, fortalecido pelo reconhecimento da Eurocâmara que coloca mais pressão contra o presidente Nicolás Maduro.

"Vamos lidar com a emergência humanitária (saúde, alimentação). Frear a seco a inflação, reativar a indústria petroleira e restabelecer o acesso a bens e serviços públicos", assegurou o líder da oposição.

Washington disse ter prontos 20 milhões de dólares para entregar em alimentos e remédios, mas Maduro, que atribui a escassez às sanções americanas, sustenta que a ajuda humanitária é a porta para uma intervenção militar.

O conflito político ocorre em pleno colapso do país, que também sofre com a hiperinflação, que o FMI projeta em 10.000.000% para este ano. A crise disparou a migração, estimada em cerca de 2,3 milhões de venezuelanos desde 2015, segundo a ONU.

O economista e deputado José Guerra, assessor de Guaidó no plano, detalhou como eixos: deter a hiperinflação, eliminar o controle de câmbio vigente na moeda desde 2003, parar de imprimir dinheiro sem apoio e renegociar a dívida externa, estimada em 150 bilhões de dólares.

Outro assessor econômico, José Toro Hardy, estimou que a Venezuela precisa de 30 bilhões de dólares para se recuperar.

Determinado a sufocar economicamente o governo de Maduro, os Estados Unidos aprovaram sanções contra estatal petroleira Pdvsa - fonte de 96% dos rendimentos do país -e congelou contas e ativos venezuelanos.

- UE aumenta pressão -O Parlamento Europeu reconheceu nesta quinta-feira Guaidó como presidente interino em uma resolução aprovada por 439 votos a favor, 104 contra e 88 abstenções, pressionando a União Europeia para que faça o mesmo.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, anunciou nesta quinta a criação de um grupo de contato de países europeus e latino-americanos de "90 dias" de duração para trabalhar em direção a uma saída à crise.

Sob a pressão de Espanha, Alemanha e França, a União Europeia deu um ultimato a Maduro para que nos próximos dias aceite eleições "livres" ou, do contrária, reconhecerá Guaidó.

Guaidó, que diz que não se prestará a "falsos diálogos", convocou uma manifestação no sábado em apoio ao prazo europeu, que expiraria no domingo. Enquanto isso, o governo pediu a seus partidários que também protestem, para celebrar os 20 anos da "revolução bolivariana" liderada pelo falecido Hugo Chávez (1999-2013).

"Estamos, continuamos e continuaremos nas ruas até que a usurpação cesse. A força do povo em sua luta pela liberdade é imparável", manifestou no auditório.

Guaidó fez uma autoproclamação depois que o Congresso declarou Maduro "usurpador" após assumir um segundo mandato que considera ilegítimo, assim como grande parte da comunidade internacional, por ser resultado de eleições "fraudulentas".

- Força Armada, 'crucial' para uma 'mudança' -Na quarta-feira, em manifestações por todo o país, Guaidó e seus partidários pediram à Força Armada que permita a chegada da ajuda humanitária e não reconheça Maduro, que, por sua vez, pediu que permaneçam unidos e leais.

Apesar de esclarecer que não irá abranger crimes contra a humanidade, Guaidó oferece anistia a militares que não reconheçam Maduro, considerando "crucial" quebrar o seu principal apoio: a Força Armada.

Pressionando também nesse setor, o governo Trump admitiu que não descarta uma ação armada na Venezuela e pediu aos militares que apoiem a transição.

Com cada convocação a marchas ressurge o medo de surtos de violência. Distúrbios desde 21 de janeiro deixaram 40 mortos e mais de 850 detidos, segundo a ONU. Duas ondas de protestos em 2014 e 2017 resultaram em 200 mortes.

E a tensão chegou à imprensa: dois franceses e três jornalistas da agência espanhola EFE (dois colombianos e um espanhol) foram deportados, após serem detidos por várias horas. Espanha, França e UE haviam exigido a sua liberdade.

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