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Guaidó intensifica desafio a Maduro com ajuda humanitária

2019-02-05T19:46:00

05/02/2019 19h46

O opositor Juan Guaidó, apoiado por 40 países que o reconhecem como presidente interino da Venezuela, redobrará a sua pressão pela entrada de ajuda humanitária, desafiando o mandatário Nicolás Maduro, que a considera o início de uma intervenção militar dos Estados Unidos.

O Parlamento, de maioria opositora, e colaboradores de Guaidó aprovou nesta terça-feira (5) a estratégia de atenção à "emergência humanitária", que terá como primeira ação o estabelecimento de centros de estocagem na Colômbia e no Brasil, disse Guaidó após o debate.

"Aqui na Venezuela não vai entrar ninguém, nem um soldado invasor. Nesta terra ninguém toca", sentenciou o presidente socialista, que conta entre seus aliados com Rússia, China, Turquia e Irã.

A ajuda humanitária é o novo desafio de Guaidó, após ser reconhecido na véspera como presidente interino por 20 países europeus, ao fim de um ultimato dado a Maduro para que convocasse "eleições livres".

"Querem mandar dois caminhõezinhos com quatro panelas. A Venezuela não tem que mendigar a ninguém. Se querem ajudar, que acabem com o bloqueio e as sanções", disse o presidente, assegurando que não permitirá que "humilhem" o país com o "show da ajuda humanitária".

O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho na Colômbia anunciou, entretanto, que não pode participar "nas iniciativas de entrega de assistência planejadas para a Venezuela da Colômbia, sem que exista um acordo prévio" com as autoridades.

- "Nos faz muita falta" -Os Estados Unidos, que não descartam uma ação armada na Venezuela, ofereceram uma ajuda inicial de 20 milhões de dólares, e o Canadá, de outros 40 milhões, uma "esmola", segundo o governo venezuelano.

Maduro acusa Washington - com o qual rompeu relações diplomáticas - de usar Guaidó como "fantoche" para derrubá-lo e se apropriar do petróleo venezuelano, e os países europeus de apoiar esses "planos golpistas".

"Há entre 250.000 e 300.000 venezuelanos em risco de morrrer. O primeiro aporte é para essa população mais vulnerável", assegurou Guaidó, que admitiu que a primeira ajuda dará somente para um mês e para cinco hospitais.

Guaidó denunciou que os militares serão ordenados a barrar a entrada de ajuda ou a roubá-la para distribuí-la em programas do governo. "Não cruzem esse limite", advertiu o deputado Miguel Pizarro, chefe da comissão parlamentar sobre a ajuda.

Fortalecido com o reconhecimento de 20 governos europeus, que se soma ao de Estados Unidos, Canadá e 12 países latino-americanos, Guaidó também pedirá ajuda humanitária à União Europeia (UE).

Além disso, solicitará a proteção de contas e ativos venezuelanos, como os Estados Unidos fizeram, que embargará a compra de petróleo venezuelano a partir de 28 de abril.

A Comissão Europeia anunciou nesta terça uma ajuda de 5 milhões de euros a mais para enfrentar a crise na Venezuela, o que eleva a ajuda humanitária para o país em 39 milhões desde 2018.

Bruxelas, que geralmente envia sua ajuda para a Venezuela por meio de organizações internacionais, também anunciou sua intenção de abrir um escritório humanitário em Caracas.

Também nesta quinta, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou a UE de tentar derrubar o presidente Maduro.

"Sabemos agora o que é a UE. De um lado falam de eleições e democracia e depois, de maneira violenta e com artimanhas, tentam derrubar um governo", disse Erdogan.

Na terça-feira, 19 países da UE reconheceram o líder opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. Ele se autoproclamou presidente em 23 de janeiro.

- 12 meses -O Parlamento venezuelano, de maioria opositora, fixou em 12 meses a vigência máxima de um eventual governo de transição liderado por Guaidó, que começaria quando chegar ao fim o que considera uma "usurpação" do poder por parte de Nicolás Maduro.

"Uma vez cessada a usurpação", Guaidó "exercerá durante 30 dias contínuos como presidente encarregado" para "conduzir o processo que leve à formação de um governo provisório (...) e a realização de eleições presidenciais livres", estabelece a Lei do Estatuto para a Transição, aprovada nesta terça-feira em sessão ordinária.

Se houver "impossibilidade técnica para convocar" eleições nesses 30 dias, o Parlamento "poderá ratificar o presidente encarregado como presidente provisório", com um mandato com "prazo máximo de doze meses".

O texto estabelece, entretanto, que as eleições deverão ser "realizadas no menor tempo possível".