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Maduro classifica ajuda enviada pelos EUA como 'migalhas' de 'comida podre'

"Agora eles têm a história da ajuda humanitária. Nos roubam 30 bilhões de dólares e oferecem quatro migalhas de comida podre", afirmou o presidente venezuelano - Marlene Bergamo/Folhapress
"Agora eles têm a história da ajuda humanitária. Nos roubam 30 bilhões de dólares e oferecem quatro migalhas de comida podre", afirmou o presidente venezuelano Imagem: Marlene Bergamo/Folhapress

15/02/2019 17h21

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, qualificou nesta sexta-feira (15) de "migalhas" de "comida podre" a ajuda humanitária enviada pelos Estados Unidos a pedido do opositor Juan Guaidó, reconhecido por 50 países como presidente interino.

"É uma armadilha, fazem um show com comida podre e contaminada", assegurou Maduro, durante um ato em Ciudad Bolívar, sudeste da Venezuela, reiterando que os Estados Unidos querem invadir militarmente a Venezuela.

O presidente socialista culpou pela escassez de alimentos e remédios que afeta o país a "guerra da oligarquia" e as sanções dos Estados Unidos, que congelou contas e ativos venezuelanos. Caracas cifra em 30 bilhões de dólares o dano à economia.

"Agora eles têm a história da ajuda humanitária. Nos roubam 30 bilhões de dólares e oferecem quatro migalhas de comida podre", reiterou o governante.

Maduro assegurou que seu governo entrega a seis milhões de famílias caixas de alimentos a preços subsidiados, e que esta semana comprou 933 toneladas de medicamentos e insumos médicos para China, Cuba e Rússia.

"Pagamos com nosso dinheiro porque não somos mendigos de ninguém", assinalou.

Um carregamento de remédios e alimentos está armazenado desde 7 de fevereiro em Cúcuta (Colômbia), na fronteira com a Venezuela, perto de uma ponte bloqueada por militares venezuelanos com contêineres e uma cisterna.

Guaidó assegura que essa assistência entrará a todo custo em 23 de fevereiro, quando completará um mês de ter se autoproclamado depois que o Congresso - de maioria opositora - declarou Maduro "usurpador" ao denunciar sua reeleição como "fraudulenta".

Maduro acusou o opositor de 35 anos de ser um "fantoche" do presidente Donald Trump e um "Judas" por pretender "que o império americano invada e ocupe militarmente" o país e "se apodere" das riquezas petroleiras e do ouro da Venezuela.

"Isso se chama traição à pátria (...) O pior é estimular a loucura imperial de um governo extremista da Ku Klux Klan que está à frente da Casa Branca", manifestou.

Delegados de Guaidó anunciaram na quinta-feira na sede da OEA terem recolhido nas últimas três semanas mais de 100 milhões de dólares em ajuda à Venezuela, que vive uma severa crise que provocou o êxodo de cerca de 2,3 milhões de venezuelanos desde 2015, segundo a ONU.

Maduro reiterou que acredita no "diálogo como a fórmula mágica" para resolver a crise venezuelana e disse esperar a convocação de uma negociação em virtude dos esforços de México, Uruguai e dos países caribenhos do Caricom.

Guaidó manifestou que não participará de um diálogo "falso", depois de acusar o governo de ter ganhado tempo com negociações anteriores.