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Destruição deixada por ciclone dificulta operação de socorro no sudeste da África

20/03/2019 11h44

As equipes de resgate estavam impressionadas hoje com a magnitude da catástrofe causada pelo ciclone Idai no sudeste da África, que deixou pelo menos 300 mortos e milhares de pessoas isoladas em telhados ou árvores seis dias depois de sua passagem.

"É a pior crise humanitária na história recente de Moçambique", o país mais afetado, estimou a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).

O ciclone, que provocou deslizamentos e inundações, deixou pelo menos 202 mortos em Moçambique e 100 no Zimbabué. Mas o saldo pode ultrapassar as mil mortes em Moçambique, segundo o presidente Filipe Nyusi, que decretou três dias de luto nacional.

O papa Francisco transmitiu sua "tristeza" pela catástrofe "que devastou várias regiões de Moçambique, Zimbábue e Malauí".

A previsão do tempo que anuncia mais chuva para os próximos dias "piorará a situação", alertou o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

A prioridade hoje era ajudar as milhares de pessoas que encontraram refúgio nas árvores, telhados ou ilhotas. Em alguns lugares, o nível da água atingiu até seis metros.

Cerca de 350.000 pessoas estão bloqueadas em áreas inundadas de Moçambique, de acordo com Nyusi.

"Temos milhares de pessoas que, há mais de três dias, estão presas nos telhados e nas árvores à espera de socorro", disse nesta quarta-feira Caroline Haga, da FICV.

Os socorristas, vencidos pela magnitude da catástrofe, enfrentam um dilema. "Infelizmente, não podemos ajudar a todos, por isso a nossa prioridade são as mulheres, as crianças e os feridos", disse à AFP Haga, acrescentando que 167 pessoas foram resgatadas ontem.

Algumas vítimas receberam ajuda aérea porque não puderam ser transferidas para um local seguro.

"Ninguém estava preparado para as inundações. As pessoas estavam preparadas para um ciclone (...), mas o ciclone causou no Zimbabué e Malauí chuvas torrenciais que chegaram até aqui", em Moçambique, acrescentou Haga para explicar a importância do desastre.

As organizações humanitárias começaram a chegar em Beira (sul) hoje, mas não dispõem de equipamentos.

"Começamos com apenas um helicóptero", reconheceu Haga. "Agora temos cinco (para todas as operações de salvamento de Beira). Deverímos, portanto, salvar mais gente, mas não temos pessoal", alertou.

As chuvas e os cortes de estradas e telecomunicações complicaram as tarefas de resgate.

Em Beira, os militares planejavam a distribuição de comida, mas o seu helicóptero não pôde decolar esta manhã devido ao mau tempo, constatou a AFP.

As ONGs também alertaram sobre os riscos à saúde, principalmente malária e cólera.

"Temos de buscar e salvar milhares de pessoas (...) construir abrigos e centro de trânsito para as vítimas e permitir o acesso à água potável", explicou o UNICEF, resumindo a importância da tarefa.

No Zimbábue, os sobreviventes trabalhavam nesta quarta-feira, com picaretas e pás, para encontrar corpos na lama que arrastou uma centena de casas em Chimanimani (leste), onde oito pontes foram destruídas.

O presidente Emmerson Manangagwa visitará esta pequena cidade localizada em um vale onde a água e a lama lavavam rochas, casas e carros.

Para ajudar as vítimas na região, a ONU anunciou uma ajuda de 20 milhões de dólares.

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