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Eleições na Espanha: do risco de bloqueio político ao avanço da extrema-direita

25/04/2019 12h44

Madri, 25 Abr 2019 (AFP) - Terceira eleição legislativa em menos de quatro anos, avanço da extrema-direita, a persistente crise na Catalunha: a seguir uma lista de fatos importantes da política na Espanha antes da votação antecipada de domingo.

- Risco de instabilidade política crônica -Esta será a terceira vez em menos de quatro anos que os espanhóis comparecerão às urnas e o risco de uma paralisia política permanece alto.

Embora as pesquisas apontem a vitória do presidente do governo, Pedro Sánchez, o Partido Socialista (PSOE) não terá maioria para governar sozinho.

Para seguir no governo teria que buscar uma aliança com a esquerda radical do Podemos, atualmente em baixa, e com os partidos regionais, como os separatistas catalães e os nacionalistas bascos.

Outra opção seria uma aliança com o Cidadãos, um partido de centro-direita liberal que oficialmente afirma desejar dice querer "afastar Sánchez" e governar com os conservadores do Partido Popular (PP). Sánchez não descarta claramente a possibilidade, assim como outros países, ainda mais depois que PSOE e Cidadãos alcançaram acordos nos últimos anos.

As pesquisas, no entanto, consideram improvável que Cidadãos, PP e o partido de extrema-direita Vox alcancem a maioria de governo.

A instabilidade começou nas eleições de dezembro de 2015, que marcaram o fim do bipartidarismo, com a entrada em cena do Podemos e do Cidadãos, e levaram ao bloqueio político.

Em junho de 2016 foram organizadas novas eleições e o conservador Mariano Rajoy tomou posse em outubro.

- Um presidente de governo não eleito -Depois de perder as eleições em 2016, quando os socialistas conquistaram apenas 84 cadeiras de 350 no Parlamento, Pedro Sánchez chegou ao poder em junho do ano passado após uma moção de censura apoiada pelo Podemos, os separatistas catalães e os nacionalistas bascos contra Mariano Rajoy.

A moção foi motivada pela condenação do PP em um grande processo por corrupção.

- Avanço da extrema-direita -A grande novidade das eleições: sem presença substancial da extrema-direita desde a morte do ditador Francisco Franco em 1975, a Espanha pode registrar o grande avanço do Vox, um partido com discurso ultranacionalista, que tem entre seus candidatos generais da reserva defensores do franquismo.

Praticamente inexistente nas pesquisas há 12 meses, o partido sacudiu o tabuleiro político espanhol em dezembro ao conquistar 11% dos votos nas eleições regionais na Andaluzia, o que ajudou o PP e o Cidadãos a desalojar dp poder os socialistas em seu reduto histórico.

- Catalunha -Um ano e meio depois da tentativa de secessão da Catalunha em outubro de 2017 - a pior crise política na Espanha em 40 anos - o tema continua no centro do debate.

Alguns dias depois do início de um julgamento histórico contra ex-dirigentes, os separatistas catalães forçaram Pedro Sánchez em fevereiro a convocar eleições antecipadas, negando apoio a seu orçamento.

O socialista, que prefere não ter que voltar a recorrer aos independentistas para formar uma eventual maioria, repetiu recentemente que é contra qualquer referendo de autodeterminação na Catalunha, embora tenha oferecido mais autonomia.

A direita e a extrema-direita, que acusam Sánchez de "traição" por sua tentativa de diálogo com os separatistas, usaram o termo "golpistas" contra os catalães durante a campanha.

- Economia e desemprego -Depois de uma severa recessão e ano de austeridade drástica, a Espanha registrou uma recuperação com três anos de crescimento acima de 3%, entre 2015 e 2017. A economia, no entanto, desacelerou em 2018, com avanço de 2,6%, e a previsão para 2019 é de 2,2%.

O desemprego, com índice de 14,7% no primeiro trimestre, o segundo maior da Europa, atrás apenas da Grécia, continua sendo a maior preocupação dos espanhóis.

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